Nasceu no Morro do Livramento, filho de um pintor mulato e de uma lavadeira açoriana. Órfão de ambos muito cedo, foi criado pela madrasta, Maria Inês. já na infância apareceram sintomas de sua frágil compleição nervosa, a epilepsia e a gaguez, que o acometeriam a espaços durante toda a vida e lhe dariam um feitio de ser reservado e tímido. Aprendidas as primeiras letras numa escola pública, recebeu aulas de Francês e Latim de um padre amigo, Silveira Sarmento; mas foi como autodidata que construiu sua vasta cultura literária, que incluía autores menos lidos no tempo como Swift, Sterne e Leopardi. Aos 16 anos, entrou na Imprensa Nacional como tipógrafo aprendiz; aos 18, na editora de Paula Brito, para cuja revistinha, A Marmota, compôs seus primeiros versos. Pouco depois, é admitido na redação do Correio Mercantil. Trava conhecimento com alguns escritores românticos: Casimiro de Abreu, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida, Pedro Luís e Quintino Bocaiúva. Este o introduz, em 1860, no Diário do Rio de Janeiro, para o qual resenhará os debates do Senado, usando de linguagem sarcástica, em função de um ardente liberalismo. Na mesma época, escreve quase todas as suas comédias e os versos ainda românticos das Crisálidas. Aos trinta anos de idade, casa-se com uma senhora portuguesa de boa cultura, Dona Carolina, sua companheira afetuosa até a morte e que lhe iria inspirar a bela figura de Dona Carmo, do Memorial de Aires. Já amparado por uma carreira burocrática, primeiro no Diário Oficial e, a partir de 1874, na Secretaria da Agricultura o escritor pôde entregar-se livremente à sua vocação de ficcionista. De 1870 a 1880 apareceram Contos Fluminenses, Ressurreição, Histórias da Meia-Noite, A Mão e a luva, Helena, Iaiá Garcia. A partir das Memórias Póstumas de Bras Cubas, o escritor atinge a plena maturidade do seu realismo de sondagem moral que as obras seguintes iriam confirmar: Histórias sem Data, Quincas Borba, Várias Histórias, Páginas Recolhidas, Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Relíquias da Casa Velha. Considerado, nos fins do século, o maior romancista brasileiro, foi um dos fundadores e primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras. Animou a excelente Revista Brasileira, promoveu os poetas parnasianos e estreitou relações com melhores intelectuais do tempo, de Veríssimo a Nabuco, de Taunay a Graça Aranha. O último romance, mais diplomático, Memorial de Aires, foi escrito após a morte de Carolina, a quem pouco sobreviveu. Machado de Assis morreu vitimado por uma úlcera cancerosa, aos sessenta e nove anos de idade. Na Academia, coube a Rui Barbosa fazer-lhe o elogio fúnebre.
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