HENRY FORD – PARTE II
Aceitou, por isso, a proposta do pai, que lhe oferecia dezesseis hectares de bosque, porque pensava que o corte da madeira lhe daria os meios suficientes para constituir família. Organizou, então,
uma simples serraria e, com parte daquela madeira, construiu uma casa bem modesta. Ao lado da habitação, não faltava, naturalmente, uma oficina, onde Ford não se cansava de experimentar novos motores, encorajado, nas suas tentativas, pela mulher. Mas ele não nascera para a vida rústica e aceitou
um lugar de engenheiro mecânico na Detroit Edison Company, transferindo-se, assim, novamente, de cidade. Todo seu tempo livre era dedicado a desenhar e a elaborar os pormenores do carro que ele desejava construir, e, de fato, na primavera de 1893, a máquina estava pronta, mas faltavam ainda alguns dispositivos. Naqueles anos de expansão e de desenvolvimento das indústrias de toda espécie, também Detroit se tornara um importante centro industrial, onde Ford encontrou o ambiente encorajador para seu trabalho, e também os homens que se juntariam a ele numa ativa colaboração. Estava-se, então, na véspera da era do automóvel, que se achava destinada a transformar completamente, profundamente, a indústria e a vida social, especialmente nos Estados Unidos, onde as grandes distâncias entre os centros habitados e a falta de uma eficiente rede rodoviária faziam fortemente sentir a necessidade de um meio de transporte rápido e independente de fios e trilhos.
Em França, em 1894, realizou-se a primeira competição entre “carros sem cavalos” e, no ano seguinte, uma competição idêntica foi efetuada também na América. Dessa maneira, inventores e técnicos tiveram oportunidade de encontrar-se e constatar quanto já tinha sido feito nesse campo.
Ford seguia, com o máximo interesse, todos os progressos realizados na indústria automobilística, porque tinha idéia das possibilidades de aperfeiçoamento e do desenvolvimento do novo meio de locomoção.
Tendo vendido seu primeiro automóvel, começou a construir outro, mirando, acima de tudo, obter maior velocidade. Desde essa época, ele pensava na produção em larga escala, e quando alguns financiadores se demonstraram dispostos a ajudá-lo, deixou a Companhia de Eletricidade para dedicar-se completamente à construção dos seus modelos. Foi constituída uma primeira Sociedade, da qual Ford era o engenheiro-chefe, gozando de uma modesta participação nos lucros. Mas os critérios de negócios dos financiadores não satisfaziam ao jovem construtor, que pretendia basear sua indústria sobre sistemas de todo novos. Desligou-se, então, da Sociedade, alugou um barracão de tijolos e ali continuou seus estudos e aperfeiçoamento do motor e dos métodos de construção de um novo carro, que apresentou, depois, com êxito, numa corrida. Logo após, foi fundada a Ford Motor, em 1903, o primeiro núcleo daquela que iria ser a maior fábrica de automóveis do mundo.
A nova Sociedade iniciou logo boas vendas, que lhe permitiram progredir sem recorrer aos bancos. Mas, no início, teve que enfrentar as ameaças de uma associação de fabricantes de automóveis, que pretendiam ter assegurado para si a patente especial da fabricação de todos os tipos de automóveis. Henry Ford lutou com sucesso contra essa tentativa de monopólio, que faliu depois de um processo que se arrastou por anos.
Entrementes, o número de fábricas de automóveis tinha aumentado bastante, e Detroit tornara-se um centro dominante da nova indústria, mas nenhuma fábrica estava então em condições de construir um carro inteiro, pois devia recorrer a firmas especializadas para a construção de várias partes do motor, rodas e carroçaria. A idéia de Ford era a de produzir um carro leve, simples e de baixo custo, porque agora, já, o automóvel não mais era considerado um capricho de ricos, mas uma necessidade para homens de negócios e profissionais. Resolveu, pois, construir ele próprio as peças para os seus carros, imitado nisto por outros fabricantes.
A medida que a empresa se desenvolvia, apresentavam-se problemas sempre mais complexos de produção e de organização, que Ford soube resolver, adotando um serviço que se tornou famoso e representou, realmente, um conceito novo no mundo da indústria. A produção em massa, a que soubera chegar, significava simplificar o desenho, uniformizar as peças de que a máquina é composta, estudar com a máxima precisão a velocidade do trabalho em conjunto, enfim, criar a produção em série, baseada em critérios científicos.
Esse aspecto da atividade de Henry Ford fez dele um pioneiro dos modernos conceitos de produtividade. Uma outra grande inovação que se deve a Ford é a de ter levado o automóvel ao alcance de todos os bolsos, criando uma verdadeira revolução na vida econômica e social.
Antes de todos, Henry Ford adotou, em 1914, a jornada de 8 horas de trabalho e estabeleceu o salário mínimo, com a participação, porém, dos trabalhadores nos lucros da empresa, tornando-se, assim, uma espécie de herói popular para milhões de operários do mundo todo.
Naturalmente, Ford foi coadjuvado, na criação de uma organização industrial tão complexa, por hábeis colaboradores, no campo organizativo e técnico. Entre eles, seu filho Edsel e, depois de sua morte, pelo neto, Henry Ford II.
Henry Ford morreu em Detroit, em 1947. Foi homem de inteligência original e poderosa, impulsivo, generoso, mas também alvo voluntarioso, especialmente nos últimos anos de sua vida. Granjeou lucros enormes, mas investiu-os quase todos na potencialidade de suas fábricas. Com o desenvolvimento da indústria automobilística no Brasil, sua companhia inverteu, em São Paulo, principalmente, grandes somas, estabelecendo poderosas oficinas em nossa terra, fabricando motores e tratores, que tem sido de grande proveito para a lavoura.
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