Uma
senhora passeia pelos jardins de sua casa, nas mãos um livro aberto. Para de andar, lê com atenção, medita um pouco. Porque tão interessante este livro?
Uma história de amor; uma poesia ou
Um conto policial? Não, ela lê um livro escrito especialmente para ela: Newtonismo para Mulheres, publicado em Nápoles em 1737, um best seller. Nessa época a ciência estava em moda. Assuntos científicos eram discutidos em reuniões sociais, e os nomes dos cientistas eram admirados e conhecidos de todos. O ambiente era propício a notáveis descobertas. O inglês Isaac Newton (1642-1727), um nome dominante. Aos 21 anos começou a dedicar-se a matemática chegando a descobertas fundamentais sobre o cálculo infinitesimal, a natureza da luz e a teoria da gravitação universal. Como quase todos os cientistas e pensadoresNewton era dotado de extraordinário poder de concentração. Quando lhe perguntavam como conseguia realizar suas descobertas, respondia:“Pensando nela dia e noite”. A senhora do jardim, admirada, continua a leitura, interessada, e curiosa. Outro matemático, Joseph Louis Lagrange (1736-1813),nasceu na Itália, mas foi em Berlim, onde estudou por vinte anos que realizou estudos sobre álgebra, mecânica e astronomia. Seu mérito foi ter criado e aperfeiçoado métodos de cálculo diferencial, integral e de probabilidades, importantes para o desenvolvimento das demais ciências. Esses descobrimentos beneficiaram a física e os cientistas que a ela se dedicaram, não tanto pelas descobertas, mas pelo método que deveriam adotar. Decidiram observar a natureza dos fenômenos, classificá-los e se possível reproduzi-los em laboratório. Ainda mais curiosa à senhora do jardim, senta-se sob a sombra de uma sequóia. Investigaram as leis da mecânica, prosseguindo os estudos iniciados por Galileu (1564-1642), da dinâmica e da óptica, continuando as observações de Newton sobre a luz. André Celsius, sueco (1701-1744), estabeleceu o grau centígrado como unidade de medida de temperatura. O princípio utilizado em seu termômetro foi descoberto por Gabriel Daniel Fahrenheit (1686-1767), que fabricava instrumentos meteorológicos em Dantzig. Estudos dos sons, a acústica, libertou-se da arte musical, e se tornou uma ciência com base nos estudos de Marin Mersenne (1588-1648), iniciados no século anterior. Houve também a introdução do metro e do quilograma como unidades de medida. O inglês Stephen Gray (1666?-1736), demonstrou que a eletricidade pode ser conduzida a distancia. Charles François Du Fay (1698-1739), na França, demonstrou que todos os corpos são eletrizáveis por intermédio de fricção. Benjamim Franklin (1706-1790), investigou e interpretou a “descarga pelas pontas” que mais tarde o levou a invenção do para raios. A senhora, sem perceber, imita Newton, está totalmente concentrada na leitura. Antoine Lavoisier (1743-1794), é considerado o pai da química moderna. Foi o primeiro a observar que o oxigênio em contato com uma substancia inflamável, produz a combustão. Baseado em reações químicas, deduziu “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Otto von Guericke (1602-1686), inventou a bomba pneumática e que propiciou a Robert Boyle (1627-1691), criar a técnica de manipulação de gases e a estabelecer a primeira lei física a esse respeito. Nas ciências naturais Carl von Linneu (1707-1778), criou um novo sistema de classificação de plantas. George Louis Leclerc de Buffon (1707-1788) elaborou uma grande História Natural, onde estudou homens e animais. O precursor da sociologia Giambattista Vico (1668-1744) publicou em 1725, os Princípios de uma Nova Ciência. Figura dos estudos políticos Charles de Secondat, barão de la Brède e de Montesquieu (1689-1755) criou conceitos em que se basearam para elaborar a Constituição Americana de 1787, a Francesa de 1791 e ainda o Código Prussiano de 1792 e a maioria das constituições liberais do século XIX. Como a senhora do jardim, também estamos concentrados e poderíamos citar inúmeros outros cientistas que souberam utilizar o talento e a capacidade de que foram providos, mas o sol está se pondo...nós e a senhora do jardim, fechamos o livro por hoje.
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