Um ser belo, quase irreal, é como César aparece aos olhos de Clara, que fica completamente ofuscada pela beleza dele, ao ponto de nunca lhe ter fixado verdadeiramente os contornos do rosto e a quem imagina um verdadeiro aristocrata, receando constantemente nem sequer o conhecer se o visse na rua.
A partir de tão grande deslumbramento, Clara constrói um homem em que o interior se justapõe ao exterior de
uma forma harmoniosa, entregando-se com a intensidade de uma paixão fulminante àquela criatura sacralizada com quem as coisas ruins e os maus sentimentos humanos nunca poderiam ter feito qualquer espécie de trato.
Mas a ligação entre ambos, reduzida quase exclusivamente a encontros fortuitos e de índole carnal, a pouco e pouco, deixa-a cheia de dúvidas, sobretudo por causa dos silêncios cavernosos do homem, tornando-se imperioso para ela desvendá-lo e apeá-lo do pedestal onde inconscientemente o colocara desde o início.
Depois, as surpresas foram-se sucedendo, à medida que foi descobrindo que César era pouco mais do que um vigarista, um sedutor a cuja beleza todas as mulheres sucumbiam e que ele explorava sem escrúpulos.
Tendo chegado quase à raia da loucura e por entre algumas loucuras tipicamente femininas, Clara alia-se a outras mulheres que haviam conhecido César, descobrindo entre todas um traço comum: era como se ele lhes sugasse a energia da vida deixando-as completamente sem alma, de que ele próprio precisava para se alimentar. Do pão, ele só gostava do miolo o que, segundo Clara era o que dentro dele mais faltava...
Um romance de fácil leitura, onde uma escrita serena se confronta por vezes com uma forma mais dura e obscena de dizer coisas e em que o sexo praticado por um homem calculista e por uma mulher apaixonada deixa nesta um vazio que dia para dia vai cavando sepulturas...
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