BAÚ
VELHO
"Lá em casa, no quarto da tia Isabel, havia um baú de folha, todo pintado de azul, com grandes rosas cor-de-rosa em cima e dos lados. Tia Isabel dizia que trazia dentro dele, a
vida, e eu tinha uma vontade louca de abrir o baú.
Um dia, dia de procissão do encontro, tia Isabel foi acompanhar a procissão, e eu fui ao quarto dela e abri o baú. Oh!, uma camisa de seda..., uma porção de vidros de água de colônia vazios, uma imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, uma carta...
Ah!, mas a vida era só isso, que graça eu achei.
Tia Isabel, você morreu, mas se você estiver me ouvindo, perdoe-me, sim?
Eu era menino, eu era criança e não sabia que vida às vezes é ainda muito menos do que isto..."
(autoria desconhecida)
...
"Por não sabermos quando morreremos achamos que a vida é inacabável.
Mas algumas coisas acontecem de vez em quando. Poucas, aliás.
Quantas vezes vai se lembrar de uma certa tarde na infância, uma tarde que faz parte de você, tanto que não imagina sua vida sem ela. Mais quatro ou cinco vezes. Talvez nem isso.
Mais quantas vezes vai ver a lua cheia?
Umas vinte, talvez.
Ainda assim, tudo parece ilimitado."
(de "O Céu Que Nos Protege", de Bernardo Bertolucci)
MEU
MUNDO Eu queria que o mundo
Não fosse assim tão imundo
E que desse calma ao meu viver...
Tal sonho seria
De luzes, de cores,
Eternos amores
Um nunca morrer...
Eu queria que gestos de amor
Mostrassem o valor
De um mundo assim:
Um mundo sereno
Tão calmo e ameno
Um mundo de sonhos
Meu mundo, enfim!
("Fragmentos", Benjunior - 13/07/1970)