O universo em que se insere esta obra de Pirandello é o próprio paradoxo universal da vida humana - a busca de
uma identidade, de uma voz que ecoe e que marque uma diferença, que a torne independente de seu criador mas que paralelamente a limita e a cerceia na impossibilidade de ser. Os personagens aqui se configuram não como um projeto a ser executado, ao contrário eles são a obra pronta e posta no mundo sem perspectiva de continuidade. O que permanece é tão somente a indagação existencialista, que insiste permanentemente em desafiar a vontade daquele que os criou, talvez por um
tempo determinado,
um tempo determinado pela sua imaginação, talvez cansada do seu próprio projeto. É sobre Pirandello, mas os universos se contrapõem e se encontram e se distanciam e se expandem e são como constelações e galáxias, algumas distantes, algumas muito próximas, contudo, para nós é impossível humanamente alcançá-las e no final das contas só sobra mesmo "um grande cansaço borgiano". Talvez este tenha sido o princípio fundamental de Pirandello nesta obra: o cansaço, o abandono da sua própria criação. <
br/> Extraordinário o apelo universal que se expressa na angústia desses seis personagens, tão humano - seis. Tão contemporâneo esse sentimento de irrealização, uma ânsia de viver, mesmo que por um curto período de tempo, mas viver - perpetuar a existência, mesmo que insubordinando-se à criação, ainda que plenamente consciente do tempo exator. Quem sabe criar um sétimo? Não. O sétimo seria uma coroação, uma perfeição absoluta, impossível às almas angustiadas. Necessário o abandono. Fundamental o descanso, o repouso para avaliar o que realmente importa - continuar procurando, atribuindo ao autor a responsabilidade sobre a minha vida ou simplesmente ser por um tempo e depois não mais?
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