Na escuridão da noite, cai a chuva intensa sobre a casa, as mãos trémulas folheiam mais
uma página, e uma outra, enquanto que o cérebro tenta analisar e encontrar
um sentido para o que lê.
A sua mente lembra-lhe que não é esta a verdade, tudo aquilo que aprendeu ao longo da vida levam-no a acreditar que apenas é mais uma farsa, mais um herege a tentar a glória e a fortuna às custas da santa madre igreja.
Mas por mais que reprima esse sentimento, no seu subconsciente a semente da dúvida já está plantada, e por mais que aos seus amigos e conhecidos diga que é apenas mais uma entre tantas mentiras que lançam sobre a instituição, ele próprio já pronuncia as palavras malditas: e se?
Como teria sido a vida da humanidade se a história que contam de Jesus Cristo fosse diferente, haveriam tantos crentes, seria a força do Cristianismo tão forte se os crentes soubessem que Jesus afinal, não era filho de Deus, não era ele próprio um Deus.
Como seria o mundo se afinal se soubesse que Jesus Cristo era afinal um homem como todos nós, um profeta como Moisés, com virtudes e vícios, que constituiu uma família, a qual subsiste até aos dias de hoje.
Que a história que a igreja conta é afinal a maior mentira de todos os tempos, como é que os crentes reagiram e como é que seria o futuro desta instituição.
O velho padre colocou o marcador na folha que acabara de ler, afastou os últimos pensamentos da memória e deslocou-se em direcção à janela onde podia observar a chuva a cair nesta noite de temporal.
Enquanto contemplava a força e beleza da natureza, lembrou-se do motivo que o tinha levado a seguir esta vida, e sorriu.
- Ai, este Dan Brown, é mesmo um bom contador de Histórias!
Por mais dúvidas que o assolassem, uma certeza aquecia-lhe a alma, as raízes do cristianismo, e de todos os ensinamentos de Jesus eram a bondade e o amar a todos como filhos, perante um desígnio destes todas as dúvidas que se possam ter desaparecem em função de um bem maior.
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