CocaínaA cocaína é extraída das folhas de
Erythroxylon coca, árvore originária do Peru e Bolívia, onde suas
folhas têm sido empregadas há séculos, principalmente pêlos índios peruanos, que habitam as altas altitudes das montanhas andinas. Seu uso deve-se à sensação de bem-estar que produz ao aumentar a resistência física, através da estimulação do sistema nervoso central.Cientificamente seu uso teve início após observação acidental do poder anesté&
shy;sico da droga. Mais tarde, devido aos seus
efeitos estimulantes do sistema nervoso central, foi usada no tratamento de um indivíduo dependente em morfina. O sucesso foi alcançado às custas da criação do primeiro cocainômano, ou seja, ao livrar-se da dependência da morfina, criou-se dependência da cocaína.Como anestésico local, seu uso continua, na atualidade, através de seus substitutos sintéticos como a Procaína. Apesar dos inúmeros efeitos tóxicos, colaterais e da grande facilidade em causar dependência, essas substâncias são utilizadas continuamente na prática anestésica.Na área da toxicologia, seu uso encontra-se intensa e amplamente espalhado pelo mundo, através dos toxicómanos e traficantes de cocaína.Os primeiros efeitos a nível do sistema nervoso central são a hiperatividade, a excitação e a elevação do humor e da capacidade física e mental, esta última devido à atenuação da sensação de fadiga. Com o tempo, doses maiores e mais frequentes são usadas e aparecem os sintomas tóxicos, sendo comum a associação com opiáceos, na tentativa de antagonizar estes efeitos tóxicos. Os efeitos estimulantes são seguidos por depressão central que, ao prosseguir, leva à morte por insuficiência respiratória.No aparelho cardiovascular, a administração inicial de pequenas doses de cocaína leva à bradicardia; doses moderadas causam taquicardia, com elevação da pressão arterial. Grande dose intravenosa pode causar a morte por insuficiência cardíaca, decorrente de ação tóxica direta.Os sintomas de envenenamento referem-se principalmente a nível do sistema nervoso central e acontecem rapidamente, não sendo difícil morte imediata, resultante de reação anafilactóide a impurezas na substância, de absorção rápida ou de administração intravenosa. Entre eles temos excitação, ansiedade, perturbação e aumento dos reflexos. Outros sintomas incluem cefaléia, taquicardia, hipertensão arterial, arritmia, irregularidade respiratória, febre, náusea, vómito e dor abdominal. Na fase terminal ocorrem delírio, convulsão e inconsciência, resultando a morte por insuficiência cardiorrespiratória.A intoxicação aguda por doses elevadas, além dos efeitos simpatomiméticos, pode ser acompanhada por acidente vascular cerebral, vasculite intracraniana, coma, infarto do miocárdio e morte súbita. Com doses mais baixas, os efeitos tóxicos agudos podem ser marcados por breve período de comportamento paranóide com alucinações.O uso crónico de cocaína por mulheres grávidas leva a uma alta incidência de recém-nascidos prematuros, com baixo peso ao nascimento e neurologicamente anormais.Apesar de sua alta potencialidade em causar dependência e de sua venda e uso estarem controlados por regulamentos federais específicos, seu uso é inteiramente legal no campo de anestésicos locais de inúmeras intervenções cirúrgicas. Não sabemos ainda a relação existente entre o uso repetido nas pequenas intervenções em um mesmo indivíduo e o risco de desenvolver dependência, sem falarmos nos inúmeros efeitos colaterais.Entretanto, é conhecida de muitos a miséria individual, familiar e social que se segue ao uso compulsivo destas e outras drogas, originada muitas vezes pela utilização restrita, mas plenamente legal. Seria justo expormos o indivíduo a um risco tão acentuado, se existem inúmeros outros recursos disponíveis e isentos de efeitos tóxicos?