Publicada pela primeira vez precisamente há quarenta
anos (1967) esta é, sem dúvida alguma,
uma das melhores obras da literatura latina alguma vez escrita. Neste livro e através das suas personagens Gabriel Garcia Marquez relata as situações mais importantes da história, não só da Colômbia mas de toda a América Latina - guerras cívis, imperialismo, ditadura, corrupção, vingança e, principalmente o abandono resignado a um triste destino. A acção centra-se na família de José Arcadio Buendia e Úrsula Iguarán - fundadores de uma aldeia remota nos confins da América Latina chamada Macondo - e seus filhos, José Arcadio (forte, víril, trabalhador), Aureliano (filosófico, calmo e terrivelmente introvertido e Amaranta, a típica dona de casa de uma família de classe média do séc.XIX. E muito mais tarde junta-se-lhes Rebeca, adoptada quando a família já se multiplicara e José e Úrsula tinham já trinetos. Curiosamente todas as gerações foram acompanhadas por Úrsula que, espantosamente, viveu até à idade de 150 anos. Ao longo do tempo Úrsula foi-se apercebendo que todas as características físicas e psicológicas estavam ligadas a um nome. Os José Arcadio eram impulsivos, extrovertidos e trabalhadores enquanto os Aureliano se mostravam pacatos, estudiosos e muito fechados no seu próprio mundo interior. É a estes que cabe a missão de decifrar os pergaminhos de Melquíades- o cigano que fora amigo de José Arcadio Buendia. A importância destes pergaminhos reside no facto de neles constar a história dramática da família e apenas serão decifrados quando o último membro da estirpe estiver às portas da morte. A obra que nos conta a vida desta família que enfrenta uma terrível maldição - estão condenados a cem anos de solidão - está também recheada de fantásticas maravilhas como a cidade inteira atacada de insónia, a mulher que, ao estender a roupa, ascende ao céu e um suicídio que desafia todas as leis da física.
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