Introdução
Desde cedo, na Península Ibérica, existiram
judeus.
Viessem eles como comerciantes no tempo de Salomão, ou como fugitivos no tempo de Nabucodonosor, ou, mais tarde, durante o império romano, a verdade é que as suas comunidades aparecem aqui e a sua origem mergulha na escuridão do tempo e na confusão das lendas e tradições. Pertence ao século III da nossa era, o mais antigo documento escrito relativo aos judeus na Península Ibérica, e é do século VI, o mais antigo vestígio que nos fala deles, no nosso território. Trata-se de uma lápide funerária, encontrada em Espiche, perto de Lagos Vemo-los no reino visigodo, ora protegidos pelos reis ora perseguidos por eles e pela população, consoante a necessidade do seu dinheiro era mais premente ou o fanatismo religioso mais acérrimo. Devemos, contudo, distinguir dois períodos: um, primeiro, de tolerância religiosa, anterior à conversão de Recaredo ao cristianismo, e outro, posterior a este, em que pondera um maior rigorismo em relação à convivência entre cristãos e judeus. É de frisar que a acção repressiva parte dos monarcas e não da Igreja que, muitas vezes, verbera tal procedimento. Sisebuto é o primeiro a ordenar perseguições contra os judeus, cujas circunstâncias ainda estão mal conhecidas. Segundo alguns autores, este monarca ter-lhes-ia imposto a alternativa de se baptizarem ou de sairem para sempre do reino. A mesma atitude severa é renovada durante os governos de Chintila, Recesvinto, Egica e outros soberanos. No entanto, após estas agitações a paz retorna à convivência entre judeus e cristãos, até que no reinado de Egica, aqueles se embrenham no caminho das conspirações políticas, o que agrava a sua situação na Península.
Mais críticas sobre OS JUDEUS EM PORTUGAL no século XIV