O livro baseia-se num códice encontrado em 1978, no Médio Egito, em linguagem copta, posteriormente traduzido para o
inglês e deste para o português. Recebeu a denominação de Códice Tchacos, apresentando folhas (papiros)perdidas e falhas com prejuizo de palavras apagadas. Este documento tem a sua origem por volta do século II d.C, segundo as pesquisas relatadas.
Os autores consideram um documento gnóstico que dá uma outra interpretação diferenciada dos tradicionais Evangelhos do Novo Testamento. Judas é apresentado não como um traidor do Mestre, mas sim como o único apóstolo que tinha condições de entende-lo e como tal, poder dialogar mais claramente sobre certos mistérios.
Esse apóstolo não teria traído Jesus, mas sim cumprido, justamente, os desígnios defendidos pelo Mestre, o qual éra necessário o sacrifício do Martírio com dois objetivos: um de redimir os pecados da humanidade e outro libertar o seu espírito das vestes carnais, no sentido de que Ele pudesse retornar ao plano Divino.
Judas é apresentado como o discípulo mais próximo, o único capaz de entender os mistérios do plano divino, do qual Jesus ascendeu e que a dita traíção, não passou de uma estratégia para que se cumprisse os objetivos do Mestre. Mesmo o suposto auto-enforcamento de Judas é contestado, por não haver provas suficientes e que possivelmente teria sido cogitado para justificar um erro grave deste apóstolo que reconhece e se arrepende.
É enfocado também no livro a questão política-religiosa que permeou durante os primeiros séculos do cristianismo, onde vários segmentos religiosos procuraram servir-se da base dos conhecimentos de Jesus para justificar seus objetivos e conquista de poderes.Desta forma, os conhecimentos gnósticos foram rejeitados na composição do Novo Testamento, justificando, assim, os motivos pelos quais o Testamento de Judas e quiçá de outros como o Evangelho de Tomé, o Dídimo, de Felipe, ficassem fora da denominada Sagrada Escritura.
Os autores deixam transparecer conhecimentos rudimentares dos movimentos esotéricos da época, tal como a Confraria dos Essênios, onde Jesus teria tido sua iniciação e tantos outros que existiam, antes e após o surgimento de Cristo, principalmentenos primeiros séculos após sua morte, o que determinou a existência de vários evangelhos, uns compilados no Novo Testamento e outros excluídos.