:::Levando Bom Despacho Para o
Mundo: Jorge Fernando dos Santos
A propósito do aniversário da cidade, saio em busca de sua presença no mundo. Gostaria de homenagear alguém que valorizou a Língua da Tabatinga,
um linguajar muito nosso. Trata-se de Jorge Fernando dos Santos, escritor de romances, contos e poemas, infantis e adultos, editor do caderno D+ (Estado de Minas). Jorge Fernando é admirador da Língua da Tabatinga. Ele conheceu as palavras da “Língua do Negro da Costa” através do livro Pé Preto no Barro Branco, de Sônia Queiroz. Interessou-se por elas e colocou-as na boca de um personagem de seu livro Sumidouro das Almas (2003, editora Ciência Moderna). No romance Sumidouro das Almas, a “língua do negro da costa” serviu para compor o personagem do negro Nonô Carvoeiro. O romance é uma experiência válida de revitalizar esse “linguajar”, fazendo dele uma utilização prazerosa. A fala de Nonô Carvoeiro, personagem que utilizou a “língua” é a fala seca de alguém de poucas palavras. Inúmeros vocábulos da “gíria dos cuetes” foram citados no decorrer da narrativa: “ongoró”, “canguro”, “matuaba”, “quibas”, “camargo”, “grozope”, respectivamente: “cavalo”, “porco”, “cachaça”, “órgãos genitais”, “pênis” e “cerveja”. Para não comprometer a mensagem, o narrador colocou a palavra na “língua da Tabatinga” e bateu ao lado um sinônimo em português claro. No final ficou a mensagem, ou “moral da história”, do cantador de feira do nordeste:A vida não vale um desatino
Pois o mundo não passa de um livro
Cordel em rascunho mal escrito
Pelas mãos trêmulas do destino
Seja homem, seja mulher, seja menino
Cada qual acrescenta seu capítulo
A palavra é frágil feito vidro
Mas foi Deus quem inventou o verbo
Que se fez carne e era seu Filho
O verso é luz do poeta cego.
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