Dennis Kurzon é professor da linguística inglesa na Universidade de Haifa, em Israel. Publicou este seu livro em 2004, e nele apresenta osresultados de uma investigação sobre os resultados nos exames de TOEFL (testes de lingua inglesa para os estrangeiros) a que foram submetidos 300 candidatos de Goa e da região vizinha cuja lingua nativa era Konkani. Estes resultados comparados comos dos candidatos de outras partes da India e devárias outras línguas do mundopermitem concluir que os habitantes de Goa,falantes da lingua Konkani, tem uma propensão especial para responder com mais sucesso aos testes de TOEFL. O autor atribui esta propensão e este sucesso às condições de vida em Goa colonial que condicionaram os Goeses católicos a aprender a lingua inglesa para ganharem a sua vida como emigrantes na India britânica, e mais tarde na Africa oriental inglesa, e mais recentemente, após a descolonização da Africa e a expulsão dos goeses da Uganda por Idi Amin, para o Reino Unido, Canada, EUA e Australia. A dependência dos familiares que ficaram em Goa nas remessas de dinheiro dos seus membros emigrantes na primeira fase de emigração para a India vizinha era um factor importante para o equilibrio da economia colonial de Goa. A promoção do ensino da lingua inglesa em Goa desenvolveu por iniciativa privada, e sem qualquer ajuda do erário público que somente fazia o aproveitamento das remessas dos emigrantes. Como resultado de quase dois últimos séculos deste processo, a lingua inglesa tornou-se uma ferramenta essencial na vida dos goeses católicos em particular, mas também dos goeses Hindus que formam a maioria da população. As novas gerações dos goeses católicos já utilizam a língua goesa no seu quotidiano, juntamente com a sua língua materna Konkani. Já existem familias em que o Konkani já deixou de ser usado e foi substituido pelo inglês. O autor chega à conclusão que os goeses olham para o Ocidente como o seu destino, e é isto,juntamente com o multilinguismo que praticam,que lhes garante o sucesso que apresentam nos testes de TOEFL. É estranho todavia que o autor não inclui a emigração dos goeses católicos para as terras do Golfo no Médio Oriente. É a fonte principal dos recursos financeiros de Goa nas últimas décadas, e são emigrantes que mantem contactos mais directos com Goa e promovem a maior utilização da lingua inglesa em Goa hoje. A falta deste elemento na análiseparece-me muito estranha neste livro que apresentauma excelente investigação socio-cultural de Goa.
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