A Editora Conex (antiga Códex) está lançando
Furta-cor, livro que marca a estréia do jornalista Thiago Iacocca
como autor. Trata-se de um
romance que apresenta uma situação comum aos jovens de São Paulo: o reencontro com a cidade e seus personagens após um período na Europa. E é no aeroporto que a história começa, trazendo o personagem de vinte e quatro anos, Vitor D’Andrea, membro da bem relacionada elite paulistana, de volta à cidade que abandonara dois anos antes. Pais, amigos, ex-namorada, um estranho diploma de jornalista, são alguns dos fantasmas que o aguardam.Vitor D’Andrea poderia ser mais um alienado no meio de uma cidade que ama e odeia na mesma intensidade, mas o que vemos é um absoluto desconforto em encarar a repulsa em receber um dos rótulos que ela pode oferecer. Seu pouco tato para lidar com as relações resulta em tortuosos questionamentos muito comuns nessa atrasada passagem para a fase adulta. E são essas dúvidas, somadas às referências musicais e culturais do começo deste novo século, que ajudam a transformar
Furta-cor em uma referência de uma geração ainda mais confusa que as anteriores e que, mesmo com acesso irrestrito a tudo, insiste em crescer mais lentamente e se comprometer cada vez menos.Aos poucos, porém, o leitor recebe dicas que apontam para alguma direção e aí o papel das mulheres (meninas) é fundamental para os rumos da história. Num ritmo cativante e com descrições envolventes, vemos a paixão pela fotografia, o sexo sem compromisso, a música eletrônica e as drogas, as turvas lembranças da Europa, resultarem num texto fragmentado e interessante para uma literatura carente de novos escritores.
O AUTOR – Formado em jornalismo e com curso de fotografia, Thiago Iacocca dedica-se atualmente à redação de roteiros de filmes. Seu talento para a literatura tem o reconhecimento do escritor Ignácio de Loyola Brandão: “Ele chega para mostrar que tem coisa nova na literatura brasileira, que o urbanismo prossegue, as tribos são outras, modernas, século XXI.
Furta-cor poderia se chamar como alguns de seus capítulos, Trampo ou A festa nunca termina. É um romance curto, denso, tenso, imprescindível”, define Loyola Brandão.