Depois de quase 40
anos de sua publicação, Cem Anos de Solidão, do escritor Gabrel García Márquez, ganhador do Premio Nobel
de Literatura em 1982, já é um clássico da literatura hispânica e em um referente cultural peça principal do Realismo Fantástico; uma mescla entre diversos componentes da realidade latino-americana, e um desfile de personagens e situações mágicas associadas às tradições européia, indígena e africana, que também é chamado de Real Maravilhoso. Trata-se de um texto imperdível e delirante, fundamental para entender o movimento chamado boom literário latino-americano, que deslumbrou ao mundo durante os
anos 60 e 70 do século anterior. Em um povo imaginário chamado Macondo, vive a família Buendía cuja saga através gerações constitui a trama da novela. Os Buendía enfrentam a uma maldição que se torna invencível apesar dos momentos de grandeza e do fervor reprodutivo da família: estão condenados a Cem Anos de Solidão. O patriarca, José Arcadio, constitui junto de sua esposa, Úrsula Iguarán, uma estirpe apaixonada de comerciantes, de guerreiros, de místicos, e entre seus descendentes está a mulher mais bonita do mundo, Remédios, a Bela, que se eleva ao céu flutuando nos lençóis de cama. A família atravessa, em ficção, as situções mais importantes da história da Colômbia, e também da história da América Latina; guerras civis, imperialismo, ditaduras, corrupção, vinganças e sobretudo abandono resignado a um destino triste, por isso, ao final, apesar da grandeza dos Buendía, o último descendentetrancado na casa secular da família, se enfrenta com sua maldição, porque as estirpes condenadas aos Cem Anos de Solidão não têm uma segunda oportunidad sobre a terra.