A escrita primitiva baseia-se em sinais que evocam ideias, como a fonte das nossas cifras, que são lidas em qualquer
idioma, conservando sempre o mesmo significado… Os símbolos, com efeito, estão destinados a despertar as ideias adormecidas no nosso entendimento. Estimulam o pensamento por via da sugestão e fazem-nos descobrir assim as verdades enterradas nas profundezas do nosso espírito.
Por conseguinte, para que os símbolos possam falar, é indispensável que exista em nós o germe das ideias que os símbolos têm como missão fazer surgir. Nenhum surgimento seria possível se o espírito estivesse vazio, inerte ou estéril.O Hermetismo perpassa a Franco-Maçonaria, assim como esta perpassa o Hermetismo, estabelecendo-se um corredor de unidade.Logo no primeiro parágrafo do livro, Wirth apresenta o mote do livro. A intenção é clara: demonstrar que o programa de iniciação é idêntico tanto na série de operações da Grande Obra, como na sequência de provas a que é submetido um Franco-Maçon. O próprio Wirth escreve:” A iniciação é una, ainda que cada escola iniciática use símbolos próprios. Apreendamos comparando, transpondo-nos de um simbolismo para outro, e a luz far-se-á no nosso espírito.”Mas o aspecto mais louvável desta obra é a capacidade de Wirth empreender uma viagem ao âmago dos símbolos e interligá-los de uma forma coerente. Um símbolo não é nada se não for capaz de transmitir a sua essência. Obviamente que aquele que se submete à prova de o sentir/entender tem de cumprir condições fulcrais para que ele se abra diante de si.Porém, Wirth consegue transpor todas as barreiras do mutismo que é inerente a cada símbolo. Consegue perscrutá-lo pela metafísica e entendê-lo para lá das formas que tem . Cada traço tem um sentido e um significado. O símbolo é a força matriz da verdade inerente à vida e ao pensamento que procura essa verdade.O primeiro capítulo -
A Ideografia Alquímica , é fundamental em toda a obra. Nele, explicita-se todo o nexo dos símbolos alquímicos, nexo que permitirá, posteriormente, altercar sobre uma alegada pintura maçónica. O nexo dos símbolos alquímicos será a chave silenciosa para se abrir o portão do Hermetismo: “deter-nos-emos, especialmente, na análise dos símbolos alquímicos, pois neles se expressa a chave do Hermetismo.”E porquê a importância dos símbolos? Wirth mais uma vez responde: “ O símbolo, pelo contrário, favorece a independência em detrimento das ortodoxias despóticas. Portanto, não é de estranhar que todas as iniciações os tenham utilizado, porque apenas os símbolos permitem escapar à escravidão das palavras e das fórmulas para chegar a uma libertação real do pensamento. E não poderia ser de outra forma se quisermos penetrar os mistérios, isto é, as verdades rodeadas de obscuridades, que se transformam muito facilmente em monstruosos erros, quando se procura expressá-las numa linguagem que não seja a de alegorias simbólicas. Justificando-se assim o silêncio imposto aos iniciados.A linguagem muda dos símbolos conduz-nos à verdade escondida. Essa linguagem fala-nos no silêncio espiritual - os símbolos transbordam de significado e a vida passa a ser mais do que uma mera sombra numa qualquer caverna da ilusão, onde o ouro do iniciado, segundo Wirth, “é só um símbolo da perfeição”. Com o fantástico prólogo de S. Franclim, este é um livro a não perder!