A perigosa ideia de Darwin: a evolução e os significados da vida Darwin's Dangerous Idea: Evolution and the Meanings of Life
(1995) Daniel C. Dennett É
um livro muito controverso, escrito por Daniel C. Dennett, publicado em 1995, onde argumenta que os processos darwinistas são a força organizadora central do Universo. Dennett afirma que a selecção natural é um processo cego e algorítmico suficientemente poderoso para esclarecer através das leis da física e da criação do Universo, a evolução da vida, que envolve hereditariedade, variação e selecção. Estas afirmações geraram o debate e a discussão dentro da comunidade científica. O evolucionismo causou desde a publicação de A origem das espécies, em 1859, muita controvérsia e mostra que foram os preconceitos filosóficos, mais que a falta de comprovação científica, que impediram os cientistas de perceberem que a hipótese levantada pelo naturalista inglês poderia estar certa. A teoria da evolução pela selecção natural, despertou intensos debates, críticas e adesões fervorosas, e ainda hoje há quem a conteste. Mas para o filósofo Daniel Dennett, o caminho é inevitável: "no devido tempo, a revolução darwiniana acabará ocupando um lugar (...) tranquilo nas mentes – e corações – de todas as pessoas cultas do Mundo". Dennett não esconde seu desprezo pelo criacionismo. Segundo ele, "o Deus bondoso que amorosamente moldou cada um de nós (todas as criaturas grandes e pequenas) e salpicou o céu com estrelas brilhantes para nosso encanto – esse Deus é um mito da infância, nada em que um adulto de mente sã e sem ilusões possa acreditar literalmente", desafia o autor, nas primeiras linhas de sua obra. No início do livro, Dennett fala sobre o contexto filosófico no qual a teoria darwiniana surgiu e do potencial revolucionário do evolucionismo para o fim do século XIX. Para tanto, toma como base o pensamento de David Hume e John Locke. Os preconceitos estavam bastante enraizados no pensamento da época, o que acabou retardando a aceitação do conceito de Darwin, e somente depois de muitas comprovações científicas é que sua hipótese ganhou o devido respeito. "Charles Darwin não pretendia preparar um antídoto para a paralisia conceptual de John Locke, ou explicar a grande alternativa cosmológica que quase frustrou Hume. Uma vez tendo lhe ocorrido a grande ideia, Darwin percebeu que sem dúvida ela teria essas consequências realmente revolucionárias, mas no início ele não tinha como objectivo a explicação do significado da vida, ou a sua origem, sendo seu objectivo apenas: “a origem das espécies.”, Comenta Dennett. Dennett prossegue com a explicação da teoria de Darwin, com uma linguagem clara e contemporânea. Ele relaciona, por exemplo, a evolução a um processo algorítmico, que envolve hereditariedade, variação e selecção. Com esses três elementos, a evolução seria um resultado inevitável. Na segunda parte da obra, o filósofo aponta as questões efectuadas à obra de Darwin, com uma argumentação estruturada, demonstra o quanto a teoria da evolução é sólida. A última parte do livro mostra como o pensamento darwinista aplica-se ao homem. Darwin sabia que a inclusão do homem na teoria evolucionista seria um choque para a sociedade da época, por isso não tocou muito no assunto quando publicou sua obra. "Ele quase não menciona nossa espécie em A origem das espécies (...). Mas, é claro, isso não enganou ninguém. Era óbvio o rumo que a teoria estava tomando, e por isso Darwin trabalhou muito para produzir a sua própria e cuidadosamente elaborada versão antes que críticos e cépticos enterrassem o assunto em meio a deturpações e avisos de alerta", observa Dennett.
Dennett afirma que a ideia de Darwin aplica-se ao homem em diversos e variados aspectos, inclusive na questão do conhecimento, da linguagem, e da ética, concluindo que a teoria da evolução seria como um "ácido universal", que corói quase todos os conceitos tradicionalistas e deixa uma visão de mundo revolucionada.
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