O DEUS DAS MOSCAS
O “Deus das Moscas” tem sido descrito como uma fabula dos tempos
modernos e de acordo com o autor retracta o “mal existente no coração”
quando seres humanos são despojados das redes da civilização ou regras da
sociedade. A prosa é nua de adornos e a sensação de maldade invade a
narrativa.
Livros anteriores a este como a “Familia Robinson” ou “Robinson Crusoe”
eram habitados de personagens heróicos e a ideia de ficar confinado numa
ilha deserta era enormemente romantizada; contudo Golding retracta a
versão alternativa e a sua descricção de
um grupo de rapazes nesta situação
que descem ao ponto de selvagens, e terrivelmente realistica.
A historia comeca com um desastre de avião numa ilha sem nome no Pacifico
e imediatamente somos apresentados aos tres protagonistas que simbolizam
diversos traços da personalidade. Ralph representa o bem e e o guia moral do
grupo, Piggy a consciência collectiva e por fim o imprudente Jack que é no
fim de contas a antítese do Ralph.
De inicio o grupo começa bem, com regras e ordem; designam tarefas e
acendem um fogo que esperam atrair a atenção de uma equipa de
salvamento com Ralph e Jack a se tornarem amigos. Contudo Jack com o seu
cabelo ruivo e temperamento aceso depressa descobre que não gosta de
receber ordens; prefere satisfazer a sua paixão pela caça. Gradualmente
ocorre a relacção entre Ralph e Jack desintegra-se com a simultanea quebra
das regras. O grupo separa-se e o caos toma controlo. Os rapazes tornam-se
paranóicos, destrutivos e quase inevitavelmente, sanguinários.
A chegada, quase no final do livro, da equipa de salvamento traz a Ralph a
consciencia do quão baixo o grupo chegou. Este final não oferece muito
alívio; na altura que se fecha o livro o coracao está ultra-acelerado… Este é
um livro que deixa um profundo sentimento de inquietação.
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