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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>Psicoterapia Psicodinâmica de Pacientes Borderline

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Psicoterapia Psicodinâmica de Pacientes Borderline

por : Vanessa Scarausi     

Autor : KERNBERG
O autor propõe o conceito de organização borderline de personalidade que baseia-se em três critérios estruturais:
1.
Difusão da identidade:
Este critério é definido como a falta de integração do conceito de self e de outros significativos. Assim, o paciente experiencia um vazio crônico e grande contradição referente à autopercepção, ao próprio comportamento e à percepção do outro.
2. Nível das operações defensivas
Refere-se ao nível de organização com predominância das defesas primitivas. Estas defesas são lançadas como proteção do ego aos conflitos, dissociando experiências contraditórias do self e de outros significativos.
São elas:
- Clivagem: Divisão do self e de objetos em totalmente bons / maus
- Idealização primitiva: Tendência exagerada a ver os objetos como bons
- Formas primitivas de projeção: Identificação projetiva que é caracterizada por: tendência a continuar a experenciar um impulso ao mesmo tempo em que é projetado; medo do outro (fantasia de que o outro controla o impulso projetado) e necessidade de controlar o outro.
- Denegação: Reconhecimento da presença de percepções, sentimentos e pensamentos opostos aos expressos, sem que haja relevância emocional ou influência no paciente.
- Onipotência e desvalorização: Derivada da clivagem e representada por um self altamente inflado, grandioso e onipotente que se relaciona com representações depreciativas do outro, incluindo a projeção de aspectos desvalorizados do self.
3. Capacidade de teste da realidade
Trata-se de uma capacidade mantida no paciente e definida pelo autor como “a capacidade de diferenciar entre self e não-self e entre as origens intrapsíquica e externa das percepções e estímulos, e de avaliar nosso próprio afeto, comportamento e pensamento em termos de normas sociais comuns”.
O paciente borderline apresenta características de organização inespecíficas, tais como: fraqueza do ego – traduzida na falta de controle do impulso, falta de tolerância à ansiedade e falta de canais desenvolvidos de sublimação; patologia do superego – revelada na existência de valores imaturos e exigências morais contraditórias; e relações objetais crônicas e caóticas.
A teoria da organização borderline de personalidade propõe uma organização intrapsíquica patológica primitiva em que há predominância de conflitos pré-edipianos e suas representações psíquicas condensadas com representações da fase edipiana. Portanto, o conflito sexual típico da tríade edipiana é incutido em temas derivados da relação dual primitiva mãe-bebê, com derivativos pulsionais agressivos que expressam conflitos orais e anais, e, ainda, uma sobreposição destas relações duais a estas triangulares.
É importante salientar que na organização borderline, os conflitos não são predominantemente recalcados e, portanto, inconscientemente dinâmicos; são, contudo, expressos em estados do ego mutuamente dissociados. Esta clivagem reflete uma matriz primitiva ego-id que antecede a própria diferenciação entre ego e id, ou seja, deriva de uma fixação ou regressão a um estágio primitivo de desenvolvimento que antecede a constância de objeto e a consolidação da estrutura tripartida. Assim, relações gravemente patológicas durante o estágio inicial de desenvolvimento – do segundo ao quarto ano de vida – determinam a fixação da organização psíquica de maneira defensiva em um nível de desenvolvimento insuficientemente integrado.
O paciente borderline apresenta, em termos dinâmicos, a condensação de conflitos edipianos e pré-edipianos.
São características do paciente borderline: rápidas mudanças de humor, forte tendência agressiva relacionada a todos os níveis de desenvolvimento psicossexual (em especial, aos anseios edipianos),
O processo psicoterapêutico terá por objetivo “aumentar a capacidade do paciente borderline de experienciar o self e os outros como coerentes, integrados, indivíduos que possam ser percebidos realisticamente, e reduzir a necessidade de usar defesas que enfraquecem a estrutura do ego, reduzindo o repertório de respostas disponíveis”. Neste processo o terapeuta fará uso da clarificação e da interpretação dos componentes dissociados, ou clivados e expelidos, para desenvolver no paciente uma maior capacidade de controle dos impulsos, de tolerância da ansiedade, de modulação de afetos, de sublimação das necessidades pulsionais, e como forma de desenvolver relações interpessoais estáveis e satisfatórias.
A interpretação liga manifestações conscientes a determinantes inconscientes, comportamentos presentes nas sessões ao comportamento na realidade externa do paciente e à causalidade passada, e transferência à realidade recordada da infância. As interpretações são formulações verbais de hipóteses relativas às pressupostas ligações entre comportamentos conscientes e pré-conscientes e seus determinantes inconscientes.
Os pacientes em geral têm dificuldade de lidar com o tempo, o que decorre da síndrome de difusão de identidade.
Os pacientes borderline oscilam entre expectativas narcisistase e sentimentos profundos de desconfiança. São vulneráveis a relações duais e podem mobilizar, rapidamente, transferências primitivas que são caóticas, exigentes, ambíguas e oscilantes.
Paciente borderline fala normalmente sobre uma variedade de coisas. Tem grande tendência a dissociar, normalmente atuam questões importantes na sua vida cotidiana, ao invés de explora-las na terapia.
Ao tentar interpretar os aspectos defensivos antes do conteúdo (superfície antes do conteeúdo), o terapeuta trabalhando com pacientes borderline enfrenta o problema de diferenciar, precisamente, o que está na superfície e o que está por baixo, o uso predominante de clivagem por parte do paciente resulta na alternância de defesa e conteúdo.
O terapeuta deve primeiro esclarecer se o paciente está expressnado uma experiência emocional, uma especulação intelectual, uma fantasia ou uma convicção delirante.
Publicado em: julho 07, 2006

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