No dia 10 de Abril de 2006, um homem de 73 anos era detido com grande aparato policial numa casa de campo de
Corleone, na Sicília. O aspecto de avôzinho inofensivo ocultava o chefe supremo da Cosa Nostra,
Bernardo Provenzano, mais conhecido por Tio Binu. Condenado a prisão perpétua por vários homicídios, andava fugido da Justiça desde 1993, com a ajuda do secretismo que rodeia a organização. Só saíra da ilha em 2004, sob a falsa identidade de uma reformado, para ser operado à próstata num hospital de Marselha, França, uma intervenção que cobrou à Segurança Social. A única foto datava de 1959, não tinha telemóvel para evitar as escutas e comunicava com os seus homens de confiança através de bilhetinhos com anotações (pizzini), que dava a parentes para lhes serem entregues; ainda tinha alguns no bolso quando foi revistado.