Na leitura do livro Lutar com palavras: coesão e coerência, 2005, de Irandé
Antunes, podemos perceber as inúmeras maneiras de como escrever um texto coeso.
Para Irandé, a coesão tem por objetivo manter as partes do texto ligadas, isto é, as idéias devem estar intercaladas para manter a continuidade temática.
Isso significa que a sequência temática é de fundamental importância para a coesão, pois, do contrário, pode-se perder o fio de unidade que garanta o seu sentido.
Essa sequência que foi mencionada acontece por meio da reiteração, associação e conexão. Neste resumo, focaremos apenas a reiteração.
A reiteração acontece por meio da
Repetição (paráfrase, paralelismo e repetição propriamente dita) , Substituição (substituição gramatical, substituição lexical) e elipse
A reiteração é um procedimento muito importante para a construção da escrita, porque, dessa maneira, obtemos a oportunidade de retomar algo que já foi dito no texto.
Daí que a função da reiteração é manter a sequência constante de volta ao que já foi escrito. A esse respeito Irandé afirma: “Esse movimento, visto de outro lado, indica ainda que tudo o que vai sendo posto no texto é virtualmente objeto de futuras retomadas”. (2005, p. 52)
Assim, cada vez que repetimos uma palavra, seja por paráfrase, paralelismo, repetição propriamente dita, seja substituindo algum vocábulo por pronomes, advérbio, sinônimos, hiperônimos, caracterizadores situacionais, elipse; estamos reiterando.
Segundo Irandé,
A paráfrase é o mecanismo de “voltar a dizer o que já foi dito antes, mas de uma outra maneira, com outras palavras, como se nossa intenção fosse explicar o que foi dito antes, deixar o conteúdo mais claro, sem perder, é claro, sua originalidade conceitual. É dizer o mesmo de outro jeito. (ANTUNES, 2005, p. 62)
O paralelismo está ligado à coordenação das idéias que apresentam valores sintáticos comuns.
Já, a Repetição propriamente dita consiste em repetir uma palavra, sequência de palavras ou até uma frase inteira, que já foi citada no texto, é uma ação de voltar atrás, fazer reaparecer algo a que referimos anteriormente.
Passemos para outro modo de reiteração . A reiteração por substituição, que consiste em voltar a se referir a algo, sem ser necessário usar as mesmas palavras. Essa substituição pode ser de dois tipos: gramatical e lexical.
Na substituição gramatical, é possível substituir uma palavra, por pronome, advérbio, palavra que possua o mesmo sentido. E na substituição lexical acontece por meio de sinônimos, hiperônimos, caracterizadores situacionais.
E, agora, o último recurso da reiteração por substituição, a Elipse. A retomada por elipse, conforme Irandé “Em geral, a elipse é definida como resultado da omissão ou do ocultamento de um termo que pode ser facilmente identificado pelo contexto.
<...> Como recurso coesivo, a elipse corresponde à estratégia de se omitir um termo, uma expressão ou até mesmo uma sequência maior (uma frase inteira, por exemplo) já introduzidos anteriormente em outro segmento do texto, mas recuperável por marcas do próprio contexto verbal <...>. (ANTUNES, 2005, pp. 118-119)
Diante disso, podemos perceber que são inúmeros os recursos para bem manter o texto bem estruturado e com coesão. Assim, cabe a nós aprendermos esses procedimentos, para produzir um texto, em que todas as idéias fiquem ligadas, como se um fio perpassasse todo o texto e , no final, desse um nó, arrumando todas as palavras aos parágrafos.
Aprender essas técnicas é de extrema importância, seja para ser educador, seja para qualquer atividade que desempenharemos em nossas vidas, porque tudo em nossa volta é movido por textos, orais ou escritos, eles fazem parte do nosso cotidiano.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ANTUNES, Irandé.
Lutar com palavras: coesão e coerência. São Paulo: Parábola Editorial, 2005.