Uma mesma palavra pode ter pronúncias diferentes devido aos diversos tipos de falas que existem no nosso Brasil. Alguns
dizem ‘poder público’, outros ‘puder público’. Essas variações são repudiadas pelos ‘detentores’ das normas, que querem a todo custo que todos leiam exatamente como se escreve.
Os livros didáticos pregam que falar como se escreve é a única maneira certa de falar. É importante falar e escrever corretamente, mas é um disparate tentar controlar as forças que governam um ato natural, o de falar e usar uma pronúncia que está mais que consagrada nas falas de cada região.
Existe a
ortografia oficial, que se deve seguir para que a escrita seja compreensível a todos, mas ela não é o mesmo que a língua falada. A fala é aprendida antes da escrita, e existe uma grande quantidade de gente que morre sem aprender a escrever. E e a fala é o meio de comunicação mais usado na maior parte do tempo.
Nos tempos remotos, quando ainda não havia a escrita, as pessoas se comunicavam quase que exclusivamente pela fala. Então porque as regras devem ter mais relevância do que a mensagem que está sendo transmitida através do discurso falado.Não faz sentido que a escola imponha o modo de falar das grandes obras literárias sendo que literatura e oralidade são coisas diferentes.
A maioria dos autores de livros didáticos se dedica ao estudo do texto literário escrito como a única forma de ensinar português. Eles não fazem uma distinção entre ortografia e fonética, e os alunos ficam privados do direito de aprender a diferença entre letra e fonema. As regras são descritas nestes livros, mas as exceções delas ficam de fora. O fenômeno da monotongação é um exemplo disso: dependendo da velocidade com a qual se pronuncia as palavras ele acontece, como no caso da palavra ‘ameixa’ que se transforma em ‘amexa’, entre outras.
Por isso precisamos ter em mente que essas gramáticas da língua portuguesa não têm objetivos bem definidos, por uma simples razão: elas abordam apenas o português literário, deixando de fora outras modalidades da língua muito importantes na comunicação e expressão: a língua viva falada e escrita na época contemporânea de um povo.