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Resumos e revisões curtas

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Só em Portugal se fala bem o português

por : CristianEugen    

Autor : Marcos Banho

A afirmação preconceituosa de que “só pode ser em Portugal” que se fala bem o Português aparece no livro Língua viva,
de Sérgio Nogueira, página 65. Ela reflete o complexo de inferioridade deixado por termos sido colônia de um país mais “civilizado”. O título do livro está longe de expressar o seu conteúdo ideológico.
Essa afirmação nos remete à idéia de que o povo brasileiro é uma mistura negativa de raças inferiores à do branco europeu. Porém, um povo de raça pura não existe. Mesmo os Portugueses foram colonizados pelos muçulmanos entre os séculos VIII e XI.
Alguns intelectuais reclamam do rompimento das normas linguísticas vindas de Portugal. Para eles esse rompimento é o retrato da ignorância e caipirisse do nosso povo. Eles se esquecem de que a língua acompanha o desenvolvimento da civilização. Os novos inventos, as relações internacionais, a moda, os poetas e romancistas, tudo isso molda a língua de acordo com o período em que se vive.
É natural que, como colônia de Portugal o Brasil tenha herdado a língua, mas, do ponto de vista linguístico, o Português brasileiro tem uma gramática própria, é tem diferenças marcantes quanto àquele de Portugal.
Essas diferenças estão nas pronúncias, nas construções sintáticas, em expressões e no sistema fonético, que muitas vezes impossibilita o reconhecimento de certas vogais e consoantes quando um brasileiro escuta um português falar. Quem diz “eu a vi” no Brasil é um indivíduo no mínimo diferente. Em Portugal essa construção aparece na fala de todos. No Brasil esse pronome já foi substituído por ele/ela. É algo que caiu em desuso, não se usa, logo, não serve mais, ainda que a gramática considere “errada” uma forma de falar difundida de geração em geração.
O vínculo entre os dois idiomas parece não ter sido superado. Mesmo depois de tantos anos de independência política do Brasil, Luiz Antonio Sacconi no livro Não erre mais!, explica na página 64 sobre a expressão “mais pequena”. Segundo ele, é uma expressão “corretíssima” e “legítima”, pois é usada por todos os portugueses, logo, tem que funcionar para o Brasil.
A revista época também comprova o quanto estamos atrelados à “matriz”, “ensinando” na sua edição de 14 de junho de 1999 a primeira dica da reportagem sobre a ciência de se escrever bem: “O uso do gerúndio empobrece o texto. Lembre-se que não existe gerúndio no português falado em Portugal.”
Muitos professores de línguas estrangeiras acreditam que os alunos não aprenderão outro idioma, apontando para o fato de que eles não sabem nem a sua língua. São professores que confundem língua e gramática, e ao não buscar as causas do problema na metodologia equivocada de ensino que empregam, jogam comodamente a culpa no aluno.
Existem também pessoas que inferiorizam a nossa língua em relação às línguas européias, como se elas fossem um padrão ideal. Pode-se observar o mesmo comportamento em situações que envolvem o inglês britânico e o americano. Acontece que se o inglês britânico fosse mais certo, como se explica o uso do inglês americano em todos os cantos do mundo e a supremacia política e econômica daquele país.
Sendo assim, se levássemos em conta o papel do Brasil no cenário político-econômico mundial e a quantidade de pessoas que falam o Português brasileiro, nosso idioma seria muito mais importante. Mas não se trata disso. Cada idioma têm sua relevância e todos eles são igualmente importantes e devem ser respeitados como parte importante da cultura de seu povo. Nenhum idioma é mais importante do que o outro na medida em que todos eles atendem as diferentes necessidades linguísticas daqueles que os usam.
Publicado em: outubro 30, 2009
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