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Resumos e revisões curtas

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Shvoong Home>Livros>"Venha VER O PÔR-DO-SOL"

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"Venha VER O PÔR-DO-SOL"

por : KeylaPinheiro    

Autor : Lygia Fagundes Telles

        A história é narrada por um narrador heterodiegético, isto é, o

narrador está fora da história, não é um dos atores, tampouco conhece bem as personagens. Dessa forma, nos é apresentado algumas características deles, por exemplo: A caracterização externa das personagens é feita pelo narrador. Assim, sabe-se que Ricardo, é “esguio e magro”, tem “cabelos crescidos e desalinhados” e “um jeito jovial de estudante” (p. 66). De Raquel, recebem-se as informações, através do olhar e das falas de Ricardo, que “está uma coisa de linda” (p. 67) e tem olhos verdes, “assim meio oblíquos” (p. 73). Logo, é a partir do diálogo de ambos que tomamos conhecimento de outras características relacionadas a eles. 
        Nota-se uma intertextualidade no conto de Lygia, quando Ricardo refere aos olhos de Raquel como meio oblíquos pensamos logo na personagem Capitu, de Dom Casmurro, de Machado de Assis.
        Outra intertextualidade é a referência ao livro, A Dama das Camélias, é um ponto importante para entender o porquê do namoro dos dois, provavelmente com a leitura dessa obra, Raquel tornou-se romântica, não reparou na pobreza de Ricardo, assim como a personagem da obra citada. 
        A narrativa estrutura-se no último encontro de um casal de ex- namorados, Raquel e Ricardo, após vários pedidos da parte dele. Raquel chega ao encontro, já está de tarde, e a todo o momento faz críticas ao lugar e ao próprio Ricardo. Pela leitura do conto tomamos conhecimento que ela o menospreza, e que nunca o amou, além disso, trocou-o por outro, rico, ou melhor, riquíssimo, como a personagem o apresenta.    Raquel está feliz, tem um namorado riquíssimo que vai levá-la ao Oriente, ao contrário de Ricardo, que está mais pobre e mora em uma pensão horrível e a dona do lugar parece uma Medusa. Nessa parte, nota-se que sua vida está muito ruim, pois morar próximo de uma Medusa, o que é Medusa na Mitologia Grega? Uma mulher que era linda e que sofreu um castigo, em consequência desse castigo tornou-se um ser horrendo. Logo, Ricardo usou de uma metáfora para falar de como é sua vida nesse momento, sem a presença de Raquel, horrível como a Medusa.
        Na narrativa, a personagem feminina também não poupa Ricardo, deixa claro sua felicidade, o dinheiro do namorado, a elegância que vive agora, a viagem ao Oriente, e, além disso, é irônica ao perguntar se ele conhece o Oriente, notamos em seu tom, desprezo, como se Ricardo não fosse ninguém.      
         A pontuação utilizada também é um recurso muito importante da autora, temos pontos de exclamações, interrogações, reticências. Observa-se, surpresa, os questionamentos por parte de ambos, mais da parte dele, parece que ele quer criar mais raiva dela, talvez para sentir mais coragem, força para a tragédia que irá fazer. Mas ao mesmo tempo temos várias reticências, nem tudo foi dito, fica muito a ser dito, a interpretação do leitor.
        Vê-se Raquel, desde o momento que chegou, séria, inreceptiva, irônica. Já Ricardo aparentemente calmo, delicado, pois seu objetivo era que ela aceitasse o convite de entrar no cemitério. Essa tranquilidade é apresentada a personagem Raquel, porque os leitores atentos, veem o temperamento forte dele a partir do momento que ela chega. Ricardo também apresenta sinais ao leitor, que indicam o desfecho da narrativa, mas somente tomamos conhecimento deles após o desfecho. Além do mais, quando Ricardo consegue fazer com que a companheira entrasse no cemitério ele torna-se mais rude, ele a empurra, chama-a de preguiçosa. 
        O próprio título remete ao desfecho da obra. Por que “Venha ver pôr-do-sol”? Como sabemos é a luz que ilumina, o calor que aquece a vida, luz, vida. Então, levando esse significado para o conto, poderíamos compreender que é o fim da vida, para a nossa personagem, sua morte. 
        Quanto ao espaço, também nos diz muito, como, o narrador elenca novos elementos, por meio da focalização externa, para compor os componentes enumerados fazem com que o leitor enxergue o local, como se estivesse no cinema. O cenário armado pelo narrador é propício para o desenrolar de um filme de horror. Alguns detalhes do ambiente são fornecidos pelas próprias personagens, e não por trechos descritivos. Assim, toma-se conhecimento da extensão do cemitério pelo discurso direto, empregado nas falas da personagem Raquel.   
         No conto estudado, a peripécia é o momento em que a personagem, Raquel, aceita o convite de ver o pôr-do-sol, no cemitério. Esse convite muda seu destino, isto é, Raquel estava feliz, ia viajar para o Oriente com seu namorado riquíssimo, estava elegante. Entretanto, quando entrou no cemitério, deixou todos esses sonhos para trás, e o que encontrou lá foi o fim de sua vida. Portanto, foi a passagem da felicidade para a infelicidade, típico da tragédia.
        Na narrativa de Lygia Fagundes Telles, o reconhecimento acontece no momento que a personagem Raquel vê a fechadura, e toma conhecimento que ela é nova, ou seja, foi colocada por ele, com o objetivo de deixá-la naquele lugar. 
        Nesse momento a personagem toma conhecimento do propósito de Ricardo, e também o leitor percebe o desfecho da narrativa. O narrador apresenta-nos a reação de Raquel diante do reconhecimento. Nota-se o comportamento de uma pessoa que está perdendo a vida, e é esse o objetivo do narrador, mostrar que o fim da personagem chegou, a Catástrofe, ou seja, porque o conto termina com a morte de Raquel.
 


Publicado em: outubro 28, 2009
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