A DETERMINAÇÃO DO SUJEITO
Pensar em um indivíduo da
atualidade, é pensarmos em um sujeito que está introduzido em um mundo instável, descontinuo, da mídia, discurso do outro, indefinido, e esse contexto acaba por influenciar esse sujeito, porque o indivíduo é constituído, e não constituinte.
Para a visão sociológica, quando o homem nasce, ele não é nada, não existem ideias inatas, anterior ao seu nascimento, que vão indicar que caminhos ele deve seguir, alguma coisa que irá orientá-lo de suas decisões, isso não existe, pois, consoante a essa teoria, somos construídos com a experiência, à medida que experimentamos, conhecemos, vivemos e aprendemos. Assim, o ser humano é formado socialmente, somos frutos de uma relação social, construída com os outros, ou seja, o homem extrai suas ideias de sua experiência pessoal. Logo, o homem é um ser determinado pela sua história de vida.
Isso significa que, primeiro o homem existe e depois ele completa-se. É exatamente aqui que entra o
pensamento de Foucault, pois este entende o sujeito como uma invenção moderna, o qual é constituído pelas relações históricas e, também, é sujeitado pelo poder. Foucault questiona esse poder disciplinante, que domina o indivíduo, ele diz que o sujeito disciplinado é muito mais útil aos mecanismos econômicos e políticos.
Os autores da corrente sociológica, como: Brigitte, Peter Berger, Norbert Elias, Antonio Candido e Michael Foucault, confirmam que “a biografia do indivíduo, desde o seu nascimento, é a história de suas relações com outras pessoas”. (
SCHILLING, 2009, p. 47.)
Com relação à educação temos alguma identificação - na tradição ocidental (Paidéia) pelos gregos antigos (Belduing) pelos alemães, ou seja, forma de edificações dos sujeitos como construção de si.
A exemplo de Foucault somos desafiados a pensar uma construção autônoma de si, como resultante dos jogos de poder, de saber e de verdades nas quais, vamos nos constituindo social e coletivamente.
Como já mencionamos, o sujeito é formado, seja pela sua história, seja por práticas disciplinares, e Foucault questiona muito sobre o efeito do poder que existe nas instituições, na verdade, ele tem uma visão pessimista em relação a elas, faz críticas profundas às instituições escolares, ao modo de ver, eram intoleráveis. Com essa recusa às organizações, ele mostra que o sujeito é objetivado e sujeitado. No entanto, o pensamento de Foucault pode nos levar a crer que ele não era “contra” a escola, e, sim, contra a forma como a educação era atribuída.
Segundo Lacerda, é difícil fazer a crítica e a reflexão sobre o papel e os desafios da escola, dos processos de escolarização e formação, visto que isso implica a própria escola, a própria educação, pois não há uma subjetividade livre, autônoma, não haverá também pessoas educadas, criativas que é justamente o que a escola deveria produzir.
Portanto, sem criatividade, não é possível recusar o sujeito preso aos saber e ao poder de disciplinas que normalizam, sem indagar o que queremos para nós, não é possível criar novos estilos de vida, pautados por atos éticos de liberdade e autonomia, como propõe Foucault.
Isso significa que o ser humano é sujeitado a formas de poder, controle, dependência, enfim, todas as formas de subordinação. É o que menciona Foucault segundo a autora:
<...> a conformação do sujeito se dá com base em relação objetivação/ subjetivação, sendo assim, nós nos constituímos como sujeitos pelos saberes das ciências sobre nós-mesmos, pelas práticas divisoras das e nas instituições, com seu jogo constante de classificações e pelo nosso movimento de adesão a estas, com a consequente produção de uma identidade à qual nos aferramos. (SCHILLING 2009, p.50.)
Dessa maneira, a autora remete ao pensamento de Foucault dizendo que a integração dos indivíduos a uma comunidade ou totalidade resulta de uma correlação permanente entre a individualização sempre mais avançada e a consolidação desta totalidade. Então, nos formamos sujeitos a partir de nossa relação com o mundo, somos sujeitados, subordinados, influenciados pelo meio em que estamos inseridos, é em meio de tantos fatores adversos que somos constituídos. Foucault afirma que somos formados pelo olhar do outro, a questão da alteridade do sujeito, somos a partir das relações com o outrem, ou seja, pensamos ser aquilo que os outros dizem que somos. Entretanto, isso não quer dizer que somos realmente aquilo que aparentamos ser.
É o que observa Schilling “Questões individuais e sociais se entrecruzam, formam relações peculiares em cada momento histórico e em cada sociedade. São nessas tramas que se dão os processos de humanização”. (SCHILLING 2009, p. 48.)
Mas o que podemos fazer diante de tantas adversidades?
Petri enfocando o pensamento de Foucault afirma que:
<...> defende a ideia de uma estética da existência voltada para a autoperfeição e autoafirmação do sujeito. Está estética dispensaria o compromisso com valores universais ou com os princípios humanitários das democracias liberais. Foucault possui uma ética virtualmente universalista, que condena uma estrutura social. (O nascimento do sujeito. São Paulo, 2009, 29.).
Portanto, para esses estudiosos Foucault não esperava por mudanças sociais que viriam no futuro, mas nos convidava a criar o novo no presente, em todas as relações em que nos encontramos, isto é, combatendo o poder, a dominação, a sujeição, toda a forma de escravização do homem. Assim sendo, esse sujeito deixaria de ser sujeitado, para tornar-se dono do seu próprio eu, e não seria mais um ser manipulado, por uma sociedade tecnológica, do poder, que transforma as pessoas em coisas.