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Shvoong Home>Livros>O Príncipe'

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O Príncipe'

por : DCamargo    

Autor : Maquiavel
     
Esses dois conceitos inauguram um novo momento da filosofia política, a partir deles
começa-se a pensar a política de forma política, ao contrário de antes que se discutia o tema a partir de análises religiosas ou morais. No capítulo XXV de “O Príncipe”, Maquiavel explica esses conceitos e fala sobre a crença que há em sua época em um determinismo divino, porém o filósofo se opõe a esse determinismo, tratando a fortuna como um fator que muda de acordo com a conjuntura e a virtú como a escolha certa na hora certa.
     O único valor claro na obra de Maquiavel é a virtú (virtus em Latim), que é relacionado normalmente com virtude moral. Mas Maquiavel utiliza esse termo mais no sentido latino de “viril”, já que os indivíduos com virtú são definidos fundamentalmente pela sua capacidade de impor a sua vontade em situações difíceis, capacidade de controle das ocasiões e acontecimentos, ou seja, da fortuna. Fazem isto numa combinação de força, caráter e cálculo.
     Para o autor, virtú é um conjunto de qualidades, sejam elas quais forem, cuja, aquisição o príncipe possa achar necessária a fim de "manter seu estado e realizar grandes feitos". O político com grande virtú vê justamente na fortuna a possibilidade da construção de uma estratégia para controlá-la e alcançar determinada finalidade, agindo frente a uma determinada circunstância, percebendo seus limites e explorando as possibilidades perante os mesmos.
      Devido a um combinado de visões clássica, humanista e patriótica, Maquiavel acredita que "os fins justificam os meios", ou seja, para a libertação da Itália do domínio bárbaro, bem como da decadência, o príncipe de virtú será capaz de "não se afastar do bem, mas saber entrar no mal, se necessário".
Já a fortuna diz respeito às circunstâncias, ao tempo presente e as necessidades do mesmo, a sorte da pessoa. É a ordem das coisas em todas as dimensões da realidade que influenciam a política, é externa ao homem e desafia suas capacidades. A idéia de fortuna em Maquiavel vem da deusa romana da sorte e representa as coisas inevitáveis que acontecem aos seres humanos. Não se pode saber a quem ela vai fazer bem ou mal e ela pode tanto levar alguém ao poder como tirá-lo de lá, embora não se manifeste apenas na política. Como sua vontade é aleatória, não se pode afirmar que ela nunca lhe favorecerá.
      No “Príncipe”, Maquiavel descreve qual é a maneira mais apropriada para responder a volatilidade do mundo, ou à fortuna, comparando-a a uma mulher. Maquiavel refere-se à tradição do amor cortesão, onde a mulher que constitui o objeto do desejo é abordada, cortejada e implorada. O príncipe ideal para Maquiavel não corteja nem implora a fortuna, mas ao abordá-la agarra-a virilmente e faz dela o que quer (“a sorte é mulher e, para dominá-la, é preciso bater-lhe e contrariá-la”). Esta passagem representa uma tradução clara da idéia do potencial humano aplicado à política.
     A fortuna não necessariamente define os destinos de um Estado. Maquiavel compara esta fortuna a um rio, que pode estar calmo às vezes, mas que encherá e inundará toda a sua margem por outras. Entretanto, esta enchente, se não pode ser evitada, pode ser alvo de ações que minimizem seus efeitos, como a construção de diques, por exemplo. Portanto, neste sentido, a vitalidade é pré-condição da fortuna. O homem virtuoso saberá agir quando a situação assim o necessitar.
     A virtú está sempre analisando a fortuna e, portanto, não existe em abstrato, não existe uma fórmula, ela varia de acordo com a situação. Maquiavel dizia que um Príncipe precisa tanto da virtú quanto da fortuna, porém até certo ponto a falta de uma pode ser compensada um pouco com o excesso de outra.
Talvez de uma má interpretação desses conceitos que se tem a visão maquiavélica de Maquiavel. Pois, os fins justificam os meios dentro de uma determinada situação política que sofre influência de outras dimensões como a social, a econômica e a moral e cabe ao político com as suas capacidades de análise e de estratégia achar um meio para realização de um determinado fim.
Publicado em: maio 03, 2009
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