Rota 66 e um relato impressionante e esclarecedor sobre a violência policial no estado de São Paulo entre os anos de
70 a 92. Somos guiados, pela experiência de Caco Barcelos em reportagem policial, a enxergar um submundo que não imaginamos ser tão real e cruel. É um estudo do caos em que se transformou a sociedade
brasileira durante e depois do período da ditadura, monstrando a injustiça e a discriminação social e racial nas periferias.
Durante todo o relato, Caco insiste em nos manter atentos às formas usadas pelos
policiais para “maquiar” às cenas dos supostos “confrontos com bandidos”. Não é possível se decidir por quais aspectos são mais impressionantes. As estatísticas de óbitos são maiores do que as de algumas guerras. A maioria das vítimas mortas por policiais não tinha passagem pela polícia. Os corpos eram removidos para os hospitais depois de mortos com a intenção de se apagar as marcas das cenas dos supostos confrontos. Os policiais recebiam condecorações por suas ações “heróicas”. A busca pela verdade levou Caco Barcelos a passar anos debruçado sobre documentos do IML em uma ocasião em que ele havia conseguido uma permissão para vasculhar as pilhas de pápeis empoeiradas numa sala. Ele confrontou vários dados e chegou às conclusões expostas no livro, que é um verdadeiro documento contendo a história de um período negro, um período em que as pessoas louvavam os chefes de polícia e governantes, a propaganda fazia acreditar que policiais eram heróis “holywodianos” e a população de homens pobres e negros era massacrada.
Rota 66 de Caco Barcelos é realmente um documento que substituiria perfeitamente os antigos livros de historia brasileira nas escolas publicas, uma excelente opçao para se entender os meios de controle social exercidos pela ditadura em um negro periodo da politica brasileira.