O séculos XX e XXI são os séculos da imagem. Este é um dado cultural
irrefutável. O cinema, depois a televisão e o vídeo, e, agora a
informática, dominam o imaginário coletivo. A palavra e a escrita
passaram a inter-agir com outros discursos: som-palavra-imagem
fundem-se em novas noções de texto que começa a emergir com uma mudança
em termos de paradigma cultural.
O cinema como máquina de "criação de imagens" coloca novos desafios à
nossa relação com o mundo e com o real, já que cada imagem é única e
fornece uma nova experiência de mundo visível. O cinema não fala das
coisas como na literatura, mas as mostra.
Os novos paradigmas contemporâneos lançam, então, o desafio de
fundarmos um verdadeiro diálogo interdisciplinar e transdisciplinar,
sem quaisquer visões redutoras nem preconceitos inibidores da
criatividade artística ou científica.
Se uma cultura de raíz logocêntrica ganhou foros de universidade após a
invenção da imprensa, o final do século XX e início do XXI parecem ser
cada vez mais caracterizados, nesta linha de sentido, por uma cultura
pós-literária.