Quando, ainda no século retrasado, os bacharéis oriundos do praticiado cafeicultor reuniram-se para fundar o Club de Corridas Paulistano, estava definida a elite paulistana como promotora de um evento que até hoje emociona milhares de pessoas: a corrida de cavalos, que movimenta pessoas e riquezas.
O primeiro prado instalou-se na Mooca, tendo o Brás como local de acesso. Durante 60 anos, a sorte dos apostadores teve como palco a região do Brás, transferindo-se o Jockey Club, posteriormente, para a sede atual em Cidade Jardim, empregando mais de quatro mil pessoas.
Um dado curioso: desde o século retrasado, a participação de uma mulher. A neta da Marquesa de Santos – que foi proprietária de tantas terras no bairro do Brás – foi vencedora de diversos páreos. Dona Maria Domitila de Aguiar e Castro foi a primeira “turfwoman” brasileira e deixou seu nome na história do turfe paulista e nacional.
A inauguração do prado deu-se no dia 29 de outubro de 1876, à uma hora da tarde, com um programa de cinco páreos, todos na distância clássica de uma milha inglesa (1609 metros). Coube ao governo da província – o país era então ainda império – dotar o páreo inaugural de um prêmio vultoso para a época: hum conto de réis.
O Jóckey Club era então uma das poucas diversões de que São Paulo dispunha, como afirma José Geraldo Nogueira Moutinho, em sua obra “Cem anos de história do Jockey Club de São Paulo”. “A imperial cidade de São Paulo, com suas quatro freguesias, conta então com pouco mais de 25 mil habitantes”.
- “Ali pelo voltar das 4 horas da tarde a cidade toda despejava-se por aquelas ruas e daí a pouco estava largo imenso juncado de centenas de pessoas a cavalo, a pé e de burro”, continua o historiador. O Brás era então uma das quatro freguesias da Capital paulista e à qual a vila da Mooca estava subordinada administrativamente.
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Jockey Club de São Paulo foi fundado em 14 de março de 1875 com o nome de Club de Corridas Paulistano, contando com 73 sócios e um capital de 9 contos e 990 mil réis. A primeira corrida aconteceu em 29 de outubro de 1876, no hipódromo da Moóca, na rua Bresser. Somente mais tarde, em 25 de janeiro de 1941, foi inaugurado o atual hipódromo da Cidade Jardim.
De um encontro que reuniu no salão do Club Paulista, na antiga rua do Rosário, ilustres representantes da sociedade paulistana da época, o nome de Rafael Aguiar Paes de Barros se sobressaiu como idealizador do Clube de Corridas Paulistano. A ata dessa reunião foi redigida por Antônio da Silva Prado, neto do Barão de Iguape e filho de Dona Veridiana – o futuro Conselheiro Antônio Prado.
Com direito a banda de música e a presença de numeroso público, os dois cavalos inscritos na primeira corrida, Macaco e Republicano, inauguraram as raias instaladas nas colinas da Moóca em 29 de Outubro de 1876. Republicano era o favorito, mas Macaco levou o Primeiro Prêmio da Província.
Atravessando diversos períodos de importância para o Estado e para o País, como a Abolição dos Escravos, a Proclamação da República e, mais tarde, as Revoluções de 24, 30 e 32, o Jockey Club sofreu algumas suspensões de suas corridas, mas, mesmo assim, foi se firmando como protagonista da história da cidade de São Paulo. Foi de lá, também que, em 28 de abril de 1912, levantou vôo o aeroplano pilotado por Edu Chaves que tentou, pela primeira vez, fazer o percurso Rio-São Paulo via aérea. Já em 1920 passa a ter a capacidade de abrigar 2.800 espectadores e, em 1923, é criado o Grande Prêmio São Paulo, até hoje uma das disputas mais importantes do turfe brasileiro.
A atual fase do Jockey começa em dezembro 1940, com a última disputa realizada no prado da Moóca, vencida pelo cavalo Xococó. Em 25 de Janeiro de 1941 é inaugurado, do outro lado da cidade, o novo e moderno hipódromo de Cidade Jardim. A sede social do clube, no entanto, sempre esteve próxima ao seu local de origem. Da rua do Rosário mudou-se para a rua São Bento, depois para a rua 15 de Novembro, Praça Antônio Prado e, finalmente, nos anos 60, para a rua Boa Vista, 280.
Hoje, o Jockey Club de São Paulo abriga cerca de 1.500 animais puro-sangue inglês de corrida, mais os 500 cavalos que estão alojados nos centros de treinamento e que ajudam a formar os programas de corridas. O hipódromo conta com quatro pistas, uma de grama com 2.119 metros, e outra de areia, com 1.993 metros de volta fechada, que são utilizadas para corridas oficiais. Além disso, mais duas pistas auxiliares de areia, para treinos.
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