O AUTOR: Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, (Rio de Janeiro 1866-1909). Filho de Manuel Rodrigues Pimenta e de D. Eudóxia Moreira da Cunha, cursou a Escola Politécnica e a Escola Militar, tornando-se conhecido pelo ardor republicano. Ensaísta, sociólogo, teve uma vida frustrada. Não conseguiu ser engenheiro, não conseguiu ser militar e foi infeliz em seu casamento. O grande conhecimento de sua vida foi ter ido como correspondente, em 1896, para o teatro das operações contra o arraial de Canudos, no sertão da Bahia. Dessa experiência, obteve o material com que elaborou a sua grande obra, “ OS SERTÕES”, publicado em 1902 com enorme êxito.
Cronologia: Os Sertões (1902); Peru Versus Bolívia (1907); Contrastes e Confrontos (1907); À Margem da História (1909); Canudos (Diário de uma Expedição) (1939).
“Os Sertões” é uma obra monumental, que abriu nova fase nos estudos brasileiros, desvendando com violência e pessimismo o contraste de culturas, que marca a nossa civilização. Sob o aspecto literário, a influência do seu estilo muito pessoal foi em geral má, sendo às vezes obscuro por excesso vocabular. Somente supera estes defeitos, dissolvendo-os na integridade nobre e heróica da sua visão moral e social.
A obra é estruturada em três partes:
A TERRA: análise dos condicionamentos geográficos e ecológicos da região.
O HOMEM: análise dos costumes culturais. A miscigenação e a superstição como causa do messianismo.
A LUTA : o conflito resultante das contradições do homem, da terra contra as forças opressoras externas.
A obra narra a campanha contra os fanáticos guiados por um chefe messiânico, Antonio Maciel, vulgo Conselheiro, até o esmagamento do seu reduto. É um depoimento corajoso sobre a verdade dos fatos, ousando ferir a tradicional intangibilidade das Forças Armadas.
Os sertanejos que se refugiaram na vila de Canudos, onde criaram um estilo comunitário de vida, não poderiam ser considerados culpados mas produtos de uma série de fatores econômicos, geográficos, raciais e históricos. Abandonada pelos governos, a população miserável do sertão – formada pela mistura do branco, com o negro e o índio – foi se isolando cada vez mais, organizando-se em comunidades fechadas e muito atrasadas culturalmente, facilitando o surgimento do misticismo e fanatismo religiosos. Com isso criava-se uma situação propícia à atuação de líderes capazes de eletrizar multidões com suas promessas de paraíso e redenção.
A figura carismática de Antônio Maciel, o Conselheiro, cumpriu esse papel de líder, aglutinando em torno de si uma multidão de sertanejos miseráveis, sedentos de esperança e de melhores condições de vida. A presença incômoda daquele povoado, cuja população aumentava bastante, acabou provocando a interferência de tropas policiais. A resistência obstinada dos sertanejos, para que a luta se revestisse de caráter religioso, foi tornando o combate cada vez mais violento, apesar da diferença de recursos, até o envolvimento de tropas federais, que, depois de muito tempo, arrasaram o arraial de Canudos, numa carnificina impressionante.
CARACTERÍSTICAS DA OBRA:
Narrador: 3ª pessoa, onisciente.
Espaço: Sertão da Bahia (arraial de Canudos).
Tempo: narrativa (1896/97) ; da obra (1902)
Personagens: O sertanejo (Antônio Conselheiro); chefes jagunços, Volta-Grande, Pajeu, Pedrão, Tanca-Pés, Boca Torta, Chico Ema, João Abade, ao lado de nomes que indicam origem: Quinquim do Coiqui, Fabrício de Cocobocó. Os coronéis Moreira César e Tamarindo, o general Machado Bittencourt, muitos militares: Chagas Teles, Silqueira de Menezes, entre outros.
Recursos expressivos: predomina a descrição. Excesso de léxico e sintático; gosto pelas antíteses, devido as imagens violentas, torna-se barroco. Possui tendências para o retórico. Palavras técnicas ou científicas. Presença do coloquialismo (conforme o falar do sertanejo).
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