Neste
livro, oportuno e bem feito, recebe finalmente Monte Alverne. no primeiro centenário da sua morte, a atenção que vinha tardando.
A principal qualidade da obra é a sólida base documentária. devida a uma pesquisa nos Arquivos da Ordem Franciscana. a atenção se volta principalmente para a atuação de Monte Alverne nos quadros da Ordem, cuja decadência melan&
shy;cólica foi objeto de tantos dos se''us escritos. Não descuidaram, também, de zelar pelo seu nome, propondo-o (mostra-o a documentação inédita do livro) como sócio do
Institut Historique (p. 85.87), no qual haviam eles próprios ingressado pela mão do fundador, Eugêne de Monglave. grande amigo do Brasil e dos brasileiros.
Depois de expor com precisão e ordem a vida do biografado. aponta os seguintes "traços dominantes do seu caráter: independência e sobranceria, grande amor ao
estudo e grande força de vontade, nítida consciência do seu valor e constante vigilância na defesa dos seus direitos. Rígido no ataque à mediocridade e pronto na resposta às diatribes do adversários. De tudo Se encontra no livro ilustração e abono. ao tentar uma
limpeza em regra de Monte Alverne.
Frei Roberto Lopes traçou um retrato expressivo e completo do seu glorioso confrade. No tocante ao estudo da obra, o livro é menos bem realizado, podendo-se dizer que não aproveitou devidamente as sugestões e possibilidades que pressentimos no rico material documentário arrolado. sem dúvida o mais importante no caso.
Ao estudar o orador, Frei Roberto Lopes cuida sobretudo de afastar a pecha de vacuidade intelectual e ausência de lastro teológico. A este respeito, são excelentes as análises dos sermões consagrados à Virgem Maria, mostrando a segurança e inspiração da doutrina, bem como a utilização discriminada das imagens bíblicas (p. 159-179). Para exemplificar, indiquemos alguns destes problemas, começando pela análise adequada, e ainda não empreendida, da sua língua, imagens, composição; da estrutura dos sermões; das influências que sofreu. Assim, seria possível averiguar o caso dos galicismos, assinalado pelo próprio
pregador numa espécie de mea
culpa, e pelo amigo Magalhães, numa das cartas reveladas por Frei Roberto (p. 200). que Monte Alverne mostra. em bom número de sermões, influência por vezes dominadora de Chateaubriand, quase o único escritor leigo que cita como autoridade em matéria religiosa, ao lado dos eclesiásticos e das
Escrituras, e ao qual penso que tomou muitos elementos da sua concepção da história e natureza poética do Cristianismo. dentro do espírito da crítica moderna, estabelecer a natureza e intensidade deste trabalho de revisão, que deitará luz sobre muitos aspectos do estilo de Monte Alverne e da gênese das suas concepções, inclusive as ligadas à influência de Chateaubriand. No segundo caso, teríamos um aproveitamento posterior à divulgação de Chateaubriand e do Romantismo, com significado histórico totalmente diverso, e diversa interpretação da gênese intelectual de Monte Alverne. Frei Roberto Lopes mostrou segurança de pesquisador ao retificar datas, esclarecer trechos da vida.
LOPES, (frei) Roberto B. -- Monte Alveme, Pregador Imperial; roteiro para um estudo. Petrópolis, Ed. Vozes, 1958. 228 p.
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