“Essa Terra” (romance) –
AntônioTorres Resumido por
Lual
“Junco” entra no mapa do mundo, uma realidade sócio-política, tornando-se uma cidade.
Apesar de tudo, continua o mesmo como marca do sertão brasileiro, a linguagem, o cotidiano desse povo: o lugarejo de sopapo, do “caboco”, caibro, telha e cal; do tabaréu, do fumo mascado, do pássaro chamado Sofrê, da galinha Sofraco e do boi Sofrido.
Totonhim, o narrador-personagem comenta sobre a sua alpercata esmagando a própria sombra, onde tudo parecia parado e calado, sem vida.
Nelo, seu irmão, encerra o seu sofrimento enforcando-se com uma corda no pescoço, no armador da rede.
Estavam todos enlouquecidos, caindo de sede e fome, encontrando a solução no êxodo para a cidade. Surge também, o banco persuadindo o povo a melhorar a vida: evolução econômica; porém algum tempo depois, apresenta as promissórias vencidas, frustrando-o, que diante da impossibilidade do progresso, sente-se
perdido.
Comparando-se a um velho relógio de pêndulo que há muito havia perdido o ritmo e o rumo das horas, Totonhim sonha em partir para São Paulo, fugir daquela miséria.
Parte para Feira de Santana. A situação decadente desagrega a família que se dispersa na Bahia.
Nelo vai para São Paulo. Ao chegar à cidade grande, percebeu que não era tão fácil como pensara e se preocupou em escrever uma carta para a mãe, pedindo-lhe que avisasse ao pai que tirasse a idéia de ir também para lá; pois já estava velho, não iria se acostumar.
Como muitas são as loucuras da vida, lembra o caso do Alcino, um poeta velho e louco do lugar, cujo casamento não passou da primeira noite. Deitou-se nu com o candeeiro aceso, e sua esposa ao vê-lo assim, disparou correndo, pulando cerca, ele atrás tentando alcançá-la: “Pera aí, pera aí. Não fuja. Calma lá.” Pareciam dois loucos. Ela não voltou.
Seu pai ficou admirado com um homem do Junco que estava de volta. Havia ido até o Paraguai e dizia que o Sul terminava lá. Nessa
terra, progredia-se com vendas de bugigangas. Agora, levava-as para vendê-las em São Paulo. Dava um bom negócio. O velho ficou encantado com as novidades que ele lhe contava.
Foram todos embora em busca de uma vida melhor: sua esposa e seus filhos. Só lhe restava o cachorro, o seu fiel amigo, que jamais o largava. Sozinho, desatinado, chamava pelos filhos, que sem resposta ouvia apenas o eco de sua própria voz no silêncio. Algum tempo depois foi embora também e levou o seu cão. Precisava sair daquela terra de fome e miséria, onde o Alcino costumava dizer: “– Nesta terra os vivos não dormem e os mortos não descansam em paz”.
O sol secava tudo, secando até o coração dos homens. Todos que velavam o morto não sentiam sono. Conversavam. O velho pai termina o caixão do filho. Sertanejo e velho, não era um forte, mas também não era um fraco.
Chega o inverno e a enxurrada leva as cercas. A cabeça de Totonhim gira como a Terra, como se estivesse bêbado. Caindo de sono, preocupações e insônia. Sentia-se meio perdido, sem um tostão no bolso. Lembra-se de Nelo, quando menino, que recitava para acalmar o coração do povo: “Não chores que a vida é luta renhida: viver é lutar”.
Terra de homem violento e ignorante. Sua mãe lhe contou que sua irmã Adelaide não tinha morrido de parto como pensavam. O marido a matou com ciúmes do médico que fez o parto. Encheu sua barriga de balas. Vida árdua, vida difícil: suas filhas queixando-se de tanto passar o tempo no pilão, o pote na cabeça, raspando mandioca, arrancando feijão. Uma fugiu e as outras seguiram-lhe o exemplo. A Zuleide antes de fugir deixou um recado para o pai: “digam a papai que roça é uma porra”. Não queria aquela vida de mãos calejadas. Corria em busca de algo melhor.
O enterro do Nelo é feito com dinheiro emprestado a juros. O pai, certamente, iria passar fome para poder pagar o empréstimo.
Totonhim triste com aquela terra, com a morte do irmão e a desagregação da família vai para São Paulo buscar um sonho que não conseguiu realizar na Bahia.