AS MINHAS LEITURAS
Luís Infante de Lacerda Sttau Monteiro nasceu a 3 de Abril de 1926, em Lisboa, e morreu, também nesta cidade, a 23 de Julho de 1993. De ascendência espanhola, viveu uma parte da adolescência em Inglaterra, onde o seu pai foi embaixador.
Nos
anos 70 do século XX, desenvolveu actividade como jornalista, tendo colaborado com o
Diário de Notícias e com o
Expresso e, na década seguinte, dirigido
Confidencial (1984) e colaborado como guionista de uma novela televisiva.
Ficcionista, autor dramático, encenador e jornalista português,
iniciou a sua carreira literária com a narrativa
Um Homem Não Chora, obra saudada como uma revelação da ficção portuguesa contemporânea, a que se seguiu um romance de grande êxito,
Angústia para o Jantar, onde se salientam a "ironia, o gosto pela sátira, a distanciação emocional, o cinismo <...> e, no plano estilístico, a vivacidade dos diálogos."
Situado numa segunda geração neo-realista, foi sobretudo pela sua obra dramática , publicada em 1961, “Felizmente Há Luar” e com a qual ganhou o Grande Prémio da Associação de Escritores.
Trata-se de um drama narrativo, dentro dos princípios do
teatro épico, que faz a “trágica apoteose” do movimento liberal oitocentista em Portugal. O protagonista, apesar de nunca aparecer em cena, representa a esperança do povo, das perseguições dos governadores e da
revolta impotente da sua mulher e dos seus amigos. Amado por uns, é odiado por outros que temem perder o poder. Gomes Freire é acusado de chefe da revolta, de estrangeirado e grão – mestre da Maçonaria, por ser um soldado brilhante e idolatrado pelo povo. Os governantes: Miguel Forjaz, Beresford e Principal Sousa perseguem, prendem e mandam executar o General e os restantes conspiradores através da morte na fogueira para eles, aquela execução, à noite, constituía uma forma de aviso e de dissuasão de outros revoltosos. Para Matilde Melo, a mulher do General, e para mais pessoas era uma luz a seguir na luta pela
liberdade. Na evocação da figura do General, há a ânsia de liberdade e a luta pela justiça contra os opressores. Sttau Monteiro recorre a um exemplo da História portuguesa, para
denunciar a
ditadura fascista, a violência, as perseguições e a opressão que se vivia nos anos sessenta do século XX – época em que foi escrita esta obra.
Felizmente há Luar recupera acontecimentos do início do século XIX, para denunciar a situação social e política do país nos anos 60.
As personagens psicologicamente densas e vivas, os comentários irónicos e mordazes, a denúncia da hipocrisia da sociedade e a defesa intransigente da justiça social são características marcantes na sua obra. A peça foi suprimida pela
censura da ditadura. Foi, pela primeira vez representada em Paris em 1969 e só chegaria aos palcos portugueses em 1978, no Teatro Nacional.
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