Produtor Revelação do Ano
Colinas de S. Lourenço
Tem-se falado muito da Bairrada nos últimos tempos. Sinal claro de que alguma coisa está a
mudar por ali. O produtor premiado no
Ano passado veio desta região e a Revelação do Ano de 2007 volta a surgir da Bairrada. Este é mais um
projecto de dimensões relativamente importantes, se tivermos em consideração a característica de minifúndio do emparcelamento regional. Sílvio Cerveira é um “filho da região” que depois de fazer carreira noutros negócios abraçou o do vinho para prosseguir a senda da conquista de sucessos e realização.
Quando as Colinas de S. Lourenço se anunciaram, poucos seriam os que acreditavam na exequibilidade de um projecto com tal envergadura numa das regiões mais deprimidas do país vitivinícola. Ali, enquanto uns pensavam apenas em sobreviver, outros havia, como Sílvio Cerveira, que investiam forte num negócio à data mais ou menos estagnado numa Bairrada em perda de
mercado há vários anos. Mas o início francamente prometedor do projecto vem provar que muito mais importante que o estatuto
regional é o profissionalismo e a dedicação daqueles que nela trabalham.
Dos 80 hectares de vinha previstos no projecto já estão a trabalhar 62. Uma panóplia de castas servem os interesses da empresa que se retrata desde o início num projecto de âmbito internacional, não só nos tipos de
vinhos produzidos (sob a orientação de António Selas, numa adega modelo) como na atitude comercial. Os vinhos feitos abarcam vários segmentos de preço e surgem com uma
qualidade bem acima da média, tendo desde logo ganho um espaço importante na restauração regional e nacional, sem descurar o mercado de exportação, onde têm penetrado com sucesso. A relação qualidade-preço da marca Colinas de São Lourenço (ou San Lorenzo Hills, um nome “tirado da cartola” para o mercado de exportação) é excelente, quer no branco, rosé e
tinto de entrada de gama quer no mais ambicioso tinto Private Collection. Já no final do ano, surgiram os primeiros espumantes e uma linha original de três aguardentes bagaceiras de casta, a fazer lembrar a “grappas” italianas na qualidade e na apresentação.
Para breve, espera-se o aparecimento de um tinto topo de gama, da vindima de 2005, que será a cereja no topo de uma estrutura de marcas objectiva, bem delineada e fácil de apreender pelo consumidor. A qualidade dos vinhos, o preço aliciante e uma distribuição eficiente estão a fazer muito pelo jovem negócio de Sílvio Cerveira e também pelo estatuto da velha Bairrada que a cada ano que passa se mostra mais rejuvenescida e internacional.
Mais críticas sobre Vinhos Portugueses – Os melhores do ano (2)