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Cantiga de
Esponsais", publicado, pela primeira vez, no "Jornal das Famílias" - R.J. , 1876. Narrado em 3a. pessoa, conta-nos a história de
mestre Romão, músico conhecido no Rio de janeiro, nos idos de 1813. Seu comportamento, normalmente circunspecto e triste, transformava-se ao reger. Diante da orquestra, mestre Romão experimentava intensa alegria e satisfação.
Durante toda a
vida, o mestre acalentou o sonho de ser um grande compositor, contudo faltava-lhe inspiração, apesar de ser exímio executor de peças alheia. Logo que casou, aliás, mestre Romão, começou a composição de uma peça - uma cantiga de esponsais, a qual, mesmo após a morte precoce da esposa, permaneceu inacabada.
Depois de uma apresentação na Igreja do Carmo, mestre Romão foi para
casa, sentindo-se adoentado. Pediu a pai José, um preto velho com quem morava, que lhe buscasse remédios. De qualquer forma, mestre Romão pressentia que a sua vida estava no fim.
Isso fez com que ele retomasse sua antiga peça, numa ultima tentativa de concluí-la. Pediu que colocassem o
cravo**na sala do fundo por ser mais arejada. Dali, ele podia ver um jovem casal no parapeito da janela de uma casa próxima.
Sentou-se ao cravo e tentou repetidas vezes continuar a peça. Seus esforços, porém, foram inúteis. Desesperado rasgou as partituras. Nesse momento, ele ouviu a moça que, feliz na companhia do marido, entoava uma música jamais ouvida, inédita, " justamente e que mestre Romão procurara durante
anos sem achar nunca." Morreu decepcionado nessa mesma noite.
" Não há dor eterna", diz o narrador. E termina assim:
" Casaram-se há alguns anos aqueles dois confidentes. Recusaram fazer a força aquilo que o coração lhes indicou depois.
Há de ser duradouro o casamento."
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