Es “Braçoabraço” (romance) – Raimundo Matos de Leão
Resumo de
Lual Tonico, menino pobre de favela, gostava de brincar e também de estudar. Seus
amigos, meninos de
rua, perambulavam e faziam biscates para viver.
Contava com o apoio da
professora Solange que o reconhecia como inteligente e esforçado para aprender. Só ficava em casa, quando o tempo estava frio. Preferia enrolar-se em jornais e no seu velho cobertor cinza. Sua vida era difícil: muita fome e pouca comida.
Observava com tristeza o relacionamento íntimo entre a mãe e a irmã. Sentia-se só e meio perdido, com muito medo da solidão. Confessou à professora que procurou tranqüilizá-
lo dizendo: “– Os seres humanos, homens e mulheres, não nasceram para ficar sozinhos...”
Seus amigos eram traquinas. Os maiores falavam em namoros, sexo, festas, numa linguagem típica do grupo: gírias, expressões desconexas... Sua irmã estava moça, despertando os falatórios da rapaziada, dando-lhe preocupações. Chateado com tudo arquitetava planos de fuga. Sonhava aventurar-se pelo mundo afora.
A sua vizinha D. Dasdores, contadora de histórias, foi convidada pela professora para contar histórias de bichos, princesas encantadas, guerras nas caatingas... Era festa na sua turma. A professora esclarecia sobre a importância das informações, experiência de vida e sabedoria popular.
Um
dia, acordou e viu que estava sozinho, abandonado. Sua mãe fora embora com sua irmã. Desolado, trêmulo e perdido chorou. Saiu rua afora, sem rumo, seguindo o fluxo dos carros que via. Virou menino de rua.
Encontrou-se com um de seus amigos que lhe deu algo para comer e lhe orientou: “ – Cara, você tem de se virar. Tu é
laranja!” Sem entender nada, o outro explicou que laranja era garoto novo na rua. Meio atordoado perguntou-lhe onde iria
morar. E o amigo rspondeu: “ – Morar? Tua casa agora é a rua, meu chapa. Rua, sacou?” E para comer, o que iria fazer? Pedir? Roubar? Tonico sentiu o seu cérebro desconectado daquela realidade.
Perdeu-se do amigo e ficou novamente sozinho, seguindo o seu instinto. Aprendeu a se defender, a morar nas praças e, à noite, cobrir-se com jornais. Espantava-se com os que arriscavam a vida roubando, drogando-se, complicando-se.
Certo dia, ao assistir a um filme de televisão através de uma vitrine, uma garota de rua: Berenice, observava-o atentamente a alguns passos. Tinha treze anos e ele doze. Ficaram amigos. Depois ela parte com promessa de voltar.
Diante de uma estátua de mulher, que vira tantas vezes, sentiu saudades da mãe e da irmã. Num impulso, aninhou-se no colo de bronze e cobriu-se com um jornal que encontrara no lixo. Adormeceu e sonhou com Berê (Berenice).
Encontrou uma artista de artes plásticas: Stela, que o ajudou a sair daquela vida miserável. Passou a trabalhar na oficina de artes e voltou a estudar.
Dando uma volta pela cidade, deparou-se com um circo. Ficou encantado ao ver um casal de trapezistas treinando. Diante de seu interesse e admiração convidaram-no a freqüentá-lo e receber instruções do casal para a arte. Aprendeu e passou a fazer parte do elenco do Grande Circo Nerino.
A sua estréia foi inesquecível. O sonho havia se realizado: ser trapezista. Do alto, via as luzes piscando como estrelas. Ele agora também era uma estrela. As palmas irrompiam espraiando-se pelo circo afora. Os amigos o apoiaram calorosamente. Sua vida daí por diante trilharia por caminhos diferentes. Nesse dia, cansado e feliz adormeceu e sonhou com aquela mulher de bronze, que parecia acalentá-lo e renovar suas forças eternamente.
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