Falta de amor (crônica)
Autor desconhecido Resumido por Lual Era um dia de domingo de sol muito quente. O Sr. Raimundo passara o dia pastorando uma
caixa de madeira com um pequeno furo num dos lados. Mas o que seria? Olhei, achando interessante, aquele homem baixo, forte, barrigudo, negro, tão entretido com aquela caixa, empurrando algo com uma varinha de vez em quando no buraquinho da mesma.
Ao anoitecer, por volta das seis horas, uma
garota gritou assustada: Mamãe tem uma
cobra na nossa calçada! Ao ouvir a expressão, a mãe respondeu: Não pode ser verdade. Nesta área não há cobras. Você está confundindo minhoca com cobra. Com certeza, deve ser uma minhoca.
- Não mamãe é cobra mesmo! Eu já vi do mesmo tipo no meu livro de Ciências. O nome dela é Coral. Diz que é a cobra mais venenosa do país. A mãe estava com água no fogo fervendo para fazer o café do jantar. Ao ouvir isso, ficou muito assustada e saiu rapidamente na direção que a garota apontava. Veja mamãe como ela é, vermelha e preta do jeito daquela do livro – disse a menina muito agitada, despertando a atenção da mãe. Consciente de que a filha tinha razão, gritou: Saia daí rápido e observe se ela entra aqui na direção de casa. Vou pegar a vassoura para matá-la. A água do café estava fervendo e ela teve uma idéia: Levou a vasilha da água e jogou-a sobre a cobra, que ficou pulando alguns minutos, mas não morreu. Desesperada a mãe entrou e pegou uma vassoura. A cobra já estava entrando pelo portão na direção da casa. Bateu várias vezes com a vassoura e a empurrou para o meio da rua, porém a cobra relutava, voltando sempre na mesma direção. Foi um sufoco. Ambas gritavam: Cuidado! Ela tá voltando! Até que um senhor que ia passando na hora, perguntou o que estava acontecendo. A mulher explicou e lhe pediu que a matasse e a levasse para longe. O homem a matou, mas a deixou a alguns metros dali. Algum tempo depois, aconteceu uma tragédia na casa do Sr. Raimundo: A sua filha (Neusinha) foi picada por uma cobra Coral, que se alojara debaixo de sua cama. Ao se levantar preguiçosamente, a garota colocou os pés no chão procurando os chinelos pelo tato. Inesperadamente, deu um grito fulminante: a cobra havia lhe picado,escondendo-se em seguida, na sua caixa de brinquedos. Chegou morta no hospital. O Sr. Raimundo ficou arrasado. Entendeu que Deus o havia castigado. Anos atrás, ele fizera uma brincadeira de mau gosto, colocando uma cobra na calçada de uma vizinha, onde uma criança de apenas cinco anos de idade, que brincava distraidamente no local, escapou de ter o mesmo fim de sua filha. Hoje, o Sr. Raimundo encontra-se num hospital psiquiátrico, sem jamais se perdoar pela morte da filha. Para ele, só há uma explicação: a brincadeira tirana com a vizinha, envolvendo uma cobra do mesmo tipo da que matara sua filha. Se tivesse amor e respeito ao próximo, isto talvez não tivesse acontecido.
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