Último volume publicado em
vida pela escritora, data de 1977, ano em que morreu. De certa forma condensa as experiências até então realizadas pela autora, pois revolve a sua principal preocupação - o ato de escrever. O
narrador apresenta-se como Rodrigo S. M. e pretende contar, sem requintes e brilho de estrelas, a história de Macabea, uma nordestina que por algum motivo desconhecido vem para o Rio, "uma cidade toda feita contra ela". O narrador envolve-se na narrativa, tornando-se ele mesmo um personagem. Faz-se pobre como a personagem, adquire olheiras, não se permite mais prazeres pequenos como o futebol, porque se identifica com a nordestina; "escrevo por não Ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens". Órfã, a protagonista
colega Glória, que termina por lhe roubar o namorado, o também nordestino Olímpio de Jesus, ironicamente remetendo aos pólos culturais grego e cristão. Morando em pensão com algumas colegas, tem por hábito ouvis a Rádio Relógio, especializada em dizer as horas e divulgar anúncios, talvez identificando com o apresentador a escassez de linguagem que a converte num ser totalmente inverossímil no mundo em que procura sobreviver. Macabea confessa à colega de trabalho que gostaria de ser Marylin Monroe e é como estrela que aparece na última cena da narrativa. Ao ser atropelada por um rico "Mercedes", "quase vomitou, queria vomitar o que não é corpo, vomitar algo luminoso. Estrela de mil pontas". E representa o único grande papel de sua vida apagada. Antes de morrer, balbucia uma frase: "Quanto ao futuro", pois a cartomante, consultada pouco antes, lhe antecipara o futuro em que seria amada por um rico e louro estrangeiro. O abraço final une a morte o amor.
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