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Shvoong Home>Livros>Fontes Primárias em Discussão. CAMPOS, Edson Nascimento, CURY, Maria Zilda.

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Fontes Primárias em Discussão. CAMPOS, Edson Nascimento, CURY, Maria Zilda.

por : Rednav    

Autor : CAMPOS, Edson Nascimento, CURY, Maria Zilda.
 
Muito tem se teorizado, e mais ainda se escrito, em textos acadêmicos
acerca do trabalho com fontes primárias e com arquivos. Nos dizeres de Fausto Colombo, haveria uma obsessão da memória
(1991, p. 17), em nossa era. Quais as razões para tal atenção às fontes documentais? E, principalmente, qual a diferença entre os estudos contemporâneos e os do passado acerca das fontes primárias? Estas são algumas indagações de “Fontes Primárias em Discussão”, de Edson Campos e Maria Zilda Cury, um texto referência para aqueles que desejam pensar a relevância de tais estudos.
Campos e Cury (doravante C&C) fazem parte de um movimento de reflexão acerca da epistemologia contemporânea, ou seja, da relação entre o conhecimento e o mundo. Constituidos e constituidores de uma epistemologia que coloca sob-razura
sentido hodiernos, a exemplo do sentido das fontes primárias, bem como do termo “fonte”. Em tal releitura da tradição do pensamento, efetivam um movimento em que questionam a origem primeira, a que o termo fonte aludiria e, mais do que isso e por isso, apresentam fontes primárias como um espaço de reflexão, ponto relacional
. E não mais vendo-as como matriz explicativa e auto-suficiente, ponto primacial
, ou seja, determinantes exclusivas do conhecimento
(p.54).
As fontes primárias, no sentido de ponto primacial, para C&C, destacariam que a
antiga crítica das fontes
se preocupa em revelar rascunho como a origem daquele texto digno de finalmente merecer o olhar do leitor
(p.54). Nesta perspectiva tanto o rascunho quanto o texto publicado fariam referência a um ponto fixo, a um passado congelado, já pronto para todo o sempre
(p. 55).
Já o estudo das fontes em seu sentido relacional possibilitaria uma outra forma de conceber o pensamento e o mundo, pois permitiria que não se congelem as <...>efetivas possibilidades de construção de um saber em movimento
(p. 54). Isto, principalmente, por haveria uma leitura que consideraria a relação de interdependência entre a fonte primária e o texto publicado.
No estudo de tais fontes, confrontadas com o texto “final”, haveria a possibilidade de explicar o processo de construção de uma obra, alterando ou mudando significados que as fontes apresentam
(p.55), até mesmo possibilitando a transformação dialógica das significações consagradas
(p.55).
O saber passaria, então, a ser compreendido como em construção, produzido em relação e em um cruzamento de práticas de significação diferenciadas. O texto publicado deixa, então, de ser visto como algo pronto e acabado, passando a ser lido como parte um processo. Com esta perspectiva, que proporciona a releitura em uma dimensão desconstrutora dos objetos de investigação e pesquisa
, Campos e Cury questionam o saber encarado como acúmulo enciclopédico, bem como a noção de que alguém seria detentor desse saber. Tal perspectiva possibilita, como uma de suas possíveis conseqüências, uma revisão não apenas do corpus
, mas, também, dos próprios instrumentos metodológicos de investigação e de pesquisa.
Continua ...
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Tenho outras poesias publicadas, bem como textos de crítica literária e estudos culturais, alem de resumos e resenhas de textos teóricos em http://vanres.blog.terra.com.br/ . Será um prazer receber seus comentários.
Valeu
CAMPOS, Edson Nascimento, CURY, Maria Zilda. Fontes Primárias em Discussão. In: Vertentes,
n. 15. São João del-Rei, Minas Gerais: FUNREI (Fundação de Ensino Superior de São João del-Rei, jan/jun. 2000, p. 53-60.
 
Publicado em: fevereiro 28, 2008
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