• Registrar-se
  • ‎O que é o Shvoong?‎
  • Entrar
    Entrar
    Lembrar meu nome de usuário Esqueceu sua senha?

Resumos e revisões curtas

.

Shvoong Home>Livros>AI DE TI, COPACABANA

.

AI DE TI, COPACABANA

por : magnus2    

Autor : RUBEM BRAGA
Esta é urna pequena amostra do que nos espera em Ai de ti, Copacabana, livro de crônicas escolhidas pelo próprio autor para
serem publicadas, textos que nos levam a viajar por um mundo de pequenas - e grandes - coisas que transcendem o cotidiano, que se eternizam na prosa do mestre da crônica brasileira.
            As sessenta e uma crônicas de Ai de ti, Copacabana abrangem uma enorme variedade de motivos. Um deles é a infância, em Cachoeiro de Itapemirim e na viagem ao Rio, Quando o “Rio não. era Rio”. O menino  escritor, em “A minha glória-literária”. O menino na fazenda, realizando descobertas, as lembranças sensoriais de um aprendizado marcante, o calor e a tonteira da primeira cachaça, e os pecados cometidos atrás do morro com tanta inocência animal.
            E, de repente, uma paixão. São as últimas palavras, não há como insistir na transformação do menino em adolescente apaixonado, é uma revelação, nada mais a declarar.
            Lembrança dolorida é a infância eu! Natal de Severino de Jesus, uma paródia do nascimento de Cristo. Severino é o Jesus brasileiro, nordestino e pobre, menor abandonado sem cuja existência as senhoras beneficentes não teriam o que fazer, e a TV ficaria sem esse assunto, e a crônica não teria razão de ser.
            No extremo oposto da infância, a morte. São os mortos que nunca telefonam, que aparecem sem avisar, com os quais convivemos em lembrança, querendo ou não. O número dos velhos amigos que se vão só vai aumentando, o perigo é a gente ficar por aqui falando sozinho. A referência à morte e aos mortos é em geral suave, sem muita amargura, sem peso. Exceção que confirma a regra é “Minha morte em Nova York”, a crônica mais deprimida do livro.
            O amor e a mulher são presenças constantes.
            Um exemplo de que o cronista não tem intenção de impor suas idéias é “Sobre o amor. desamor”.
            Após registrar o crescente número de casais que se separam hoje em dia, refere-se aos casais de antigamente, plácidos e sábios e felizes e serenos ... , para em seguida emendar: Principalmente vistos de longe. Contradizendo-se propositalmente, chama a si mesmo detestável Braga, pessimista barato, por estar desacreditando dos lindos casos de amor para toda a vida, e corrige-se confessando reconhecer a existência deles, embora mereçam pena: Eles são tão unidos, coitados. Ao final da crônica, ele admite que tudo vale desde que presidido pelo amor. Ele é como a lua, resiste a todos os sonetos e abençoa todos os pântanos.
            Várias são as mulheres. Há a corretora chilena de olhos azuis; a misteriosa visitante que esqueceu as luvas; a mulher-presença de poderes hipnóticos; A moça que lhe faz doce companhia pela tarde e pela noite; “A primeira mulher do Nunes”, por quem o cronista se apaixona sem jamais ter visto; a ”Viúva na praia”, que lhe traz um forte sentimento de estar vivo; a jovem que gosta .do cronista, a certeza de que esses encantamentos de moça por um senhor maduro duram pouco; a moça cujo quarto é descrito de maneira levemente sensual; a senhora conhecida na praia, que parece estar nua com o seu menino; a adorável pecadora que deve agradecer o que tem “A Deus e ao Diabo também”; a mulher que aparece intempestivamente e sai mais ainda, para a consulta com o analista; há Joana e Lenora, amadas de algum lugar no passado. As mulheres são citadas com carinho, o cronista sempre está do lado delas, não há oposição, apenas encontros, desencontros, esperas, sonhos, doces paixões. O cronista não se coloca como sedutor irresistível; ao contrário, sua presença junto às mulheres é sempre cautelosa, sua atitude em relação a elas é de contemplação, respeito, delicadeza, e, quando possível, cumplicidade. Os homens não têm grande destaque nas crônicas; alguns amigos, vizinhos, colegas, trabalhadores em geral – peixeiro, padeiro, taxista - o político, o presidente.
Outro motivo recorrente é a natureza, o profundo respeito da voz narrativa aos animais, às plantas, aos acidentes geográficos. Merece destaque “História triste de mim”, ou”de tuim”, dependendo da edição, reconstituição sentimental de um episódio da infância, em que um passarinho morre devorado por um gato, a despeito de todo o cuidado e amor que o menino devota a ele. A reconstituição autobiográfica é evidente.
            “O pavão” é a arte e é o amor. Reflexão sobre o fazer poético, coisas maravilhosas tecidas de matéria simples: Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. O pavão enche os olhos , como o amor enche o coração: assim é o amor, ! oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.             Presenças constantes nas crônicas são os diálogos com outros textos da literatura, num processo intertextual em que ele cita Caminha, Vieira, Gregório de Matos, Gonçalves Dias, Manuel Bandeira, Ferreira Gullar, Hemingway, Proust. Há também referências à Bíblia, às cartilhas infantis, ditados populares.
Publicado em: fevereiro 24, 2008
Avalie este resumo : 1 2 3 4 5

Adicione aos favoritos & envie aos amigos

.