CRONICAS ESCRITAS DE MANEIRA SUAVE E AO RITMO DE UMA INSPIRAÇÃO ALEGRE, MOSTRANDO TODO O TALENTO DE UM DOS MAIS CONSAGRADOS ESCRITORES QUE SE DEDICAM A ESTE GÊNERO LITERÁRIO.
São 27
crônicas que divertem o
leitor de um modo todo original, onde a sátira se mistura com o tom filosófico e, de quando em quando, a manifestação do poético se revela com sua mais graciosa nuança.
CONSIDERAÇOES SOBRE O AUTOR E SUA OBRA
PAULO MENDES CAMPOS é um dos melhores cronistas da atualidade. Teve seu nome projetado através de aplaudidos livros e de sua colaboração em diversos jornais e revistas de Belo Horizonte e do Rio.
Belorizontino, amante de sua bela cidade e de seu Estado natal. não deixa de lembrar a sua gente e as suas
coisas nos artigos e nas crônicas que escreve.
Mudando-se para o Rio, começou a colaborar na organização do Dicionário de Literatura e a ser colaborador de O Jornal e do Correio da Manhã. Seu livro de estréia foi A Palavra Escrita. Poeta e prosador, de lá para cá tem publicado diversos livros.
Se o seu
lirismo é acentuado, mais relevante se mostra como humo¬rista e, nesta qualidade, poucos são os que podem atingir a sua altura.
Estas 27 crônicas que ele subintitulou de poéticas, patéticas e patetas, no que logo revela o tom irônico que as envolve, na verdade, oferecem graça e atração, emprestam uma
filosofia de sabor lírico ao ridículo, divertindo assim o leitor que há de encontrar nestas páginas as suas melhores horas de recreio.
Busca o autor na alegria do
cotidiano e nas coisas divertidas da existência os motivos para seus escritos. Lembra a decepção que teve quando menino com a Revolução de 30 estourando em Belo Horizonte. Com muita graça conta a história do Balé do Pato em Botafogo. Até falando de lugares fúnebres tem uma nota alegre, como em Conversa à Beira da Cova. Faz uma curiosa gradação com os verbos em Lua de Mel. Gozada a crônica que aborda Quatro Histórias de Ladrão, desde o roubo do cobertor ao caso do amigo do poeta Vinícius de Morais. Logo em seguida o pároco que pareceu estranho a seus paroquianos, em A Horta e o Padre. A caricatura de Pepê em Vinte Anos. E os traços que faz da "criatura mais derramada de vida" em Raimundo e a Vida. Tudo com um toque de seda. Assim em Ernestinho. E o Homenzinho na Ventania "que cultivava o jardim das palavras esdrúxulas". O fim que teve a pobre da ave em Pio, o Pinto. O lirismo columbino em O Pombo Enigmático. A filosofia estóica de um desses seres marcados impiedosamente pelo destino, em Jacinto Nasceu Nu. Para depois alegrar o leitor com Salvo pelo Flamengo. E aquele diálogo humorístico em Cana Amarga em Pernambuco. Que flashes estilísticos em Mineiro: Fala de Minas! Que gozação em Jim e os Cavalos Noturnos do Leblon! E como satiriza em O Bicho que Virou Homem! "De que adianta mudar, se carrego comigo as minhas coisas e a Coisa? Se carrego a mim mesmo?" - é a filosofia irônica de quem assiste ao transporte de seus trastes em Mudança. Outra gozação: Férias Conjugais. Tudo quase num mesmo ritmo, mas sem descambar para a monotonia: Aparição de Moça Bonita, O Passarinho da Lapa, O Olho do Cônsul etc. E aquela que encerra o livro é um primor de sátira: Macro, Micro e Harakiri.
Ler Paulo Mendes é deslizar sobre o cotidiano num embalo suave. É ver as coisas da vida por um outro prisma. É achar mesmo dentro do amargo algo de doce. E descobrir novos mundos dentro deste mundo que nos rodeia e está dentro de n6s.
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