UMA EXPRESSÃO ACALENTADORA PARA QUEM IA RECEBER O BATISMO DE FOGO: "NÃO HÁ DE SER NADA ... "
E não havia, realmente, de ser nada para aqueles bravos voluntários toda a série de peripécias e de perigos que iam enfrentar, rumando para um destino ignoto, sabendo apenas que tinham de arriscar a vida por um nobre ideal.
CONSIDERAÇÕES SOBRE O LIVRO
"Não Há de Ser Nada ... " nasceu das chamas de uma revolução que agitou febrilmente a alma da juventude paulista, muito embora não fosse ele
levado àquele
movimento pelo caloroso entusiasmo que sacudiu tantos •
jovens. É o que relata Renard Perez: "Em 1932, quando veio a revolução, o
escritor já tinha uma razoável atuação em jornal e trabalhava na Rádio
Record. Embora a revolução não o interessasse especialmente, resolveu, por desfastio, por espírito de aventura, alistar-se no primeiro batalhão (Voluntários de Piratininga). Tomou parte ativa nos combates, e finalmente foi preso no morro da Pedreira. pelo batalhão de Sergipe, e embarcado de trem para o
rio (com parada em Resende). Nessa viagem, quando, com mais de trinta prisioneiros, era conduzido pelos soldados de carabina e baioneta em cada canto do vagão, duas coisas o comoveram. Uma delas, o gesto de um dos soldados que, num determinado momento, abre a mochila, tira de dentro uma goiaba e reparte com os prisioneiros ... Mais tarde. entra de repente no vagão um oficial, que Orígenes reconhece ser seu velho amigo, o escritor João Ribeiro Pinheiro. Ao ver Orígenes, aproxima-se de braços abertos, completamente esquecido de que a revolução os fizera inimigos:
- Olá, Lessa!
E o abraça, fraternalmente, como nos tempos de paz.
Do Rio, onde ficou três dias na Casa de Detenção, o escritor foi levado para a Ilha Grande. Aí, escreveu "Não Há de Ser Nada ... " - reportagem pormenorizada do que vira nas trincheiras."
E mais adiante: "As recordações do presídio foram depois contadas pelo escritor em Ilha Grande, livro que já não teve o sucesso do anterior, pois o mercado estava saturado de
histórias sobre a revolução,"
Agora, longe daquele tempo em que tanto se falou sobre a revolução de São Paulo, muitos são os que ainda pouco sabem a respeito dos fatos desenrolados em tão tumultuosa época. Portanto, principalmente para os jovens que desejam saber o que foi aquela deflagração dentro de nosso país, o livro de Orígenes Lessa se torna muito interessante e poderá servir de fonte para pesquisas no campo histórico.
São as recordações de um voluntário, em que se misturam o lirismo, a sátira e a épica, num registro dos mais autênticos e valiosos de quantos já apareceram sobre o assunto.
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