O oitavo profeta menor é Habacuc, cuja mensagem é uma profecia de salvação. O livro não traz nenhuma informação sobre sua pessoa nem sobre a época em que viveu. Compreende três capítulos: o primeiro é um protesto à vitória dos caldeus sobre Nínive e ao domínio da iniquidade no mundo; o segundo, também sobre Nínive, apresenta-se na forma de um diálogo entre
deus e o seu profeta, e traz uma série de maldições contra o opressor, em forma de duras críticas aos arrogantes, aos que acumulam o que não lhes pertence, aos que ajuntam ganhos ilegítimos e "constroem uma cidade com sangue e injustiça"; o terceiro é um apelo à intervenção de Iavé: "Espero tranqüilo o
dia da angústia que se levantará contra o povo que nos ataca."
Contemporâneo de Naum e dos primeiros anos de Jeremias, Sofonias profetizou em Judá, ao tempo do rei Josias. Seu livro segue a maior parte dos escritos proféticos, com antevisões de calamidades, oráculos contra povos estrangeiros e profecias de salvação. Em quatro capítulos, começa por uma longa série de anunciações do dia de Iavé em Judá, quando se levantarão urros e gritos, e os homens serão castigados. O segundo capítulo dirige-se contra as nações dos filisteus, moabitas, no ocidente, amonitas no oriente, etíopes no sul e assírios no norte. O terceiro concentra suas imprecações contra Jerusalém, a cidade "rebelde, manchada, opressora". O último contém as promessas de conversão dos povos e a
volta dos dispersos. O livro de Ageu, décimo dos
profetas menores, apresenta-se antes como um relato de suas atividades do que como uma profecia. A época é o segundo ano de Dario, rei dos persas, que permitiu aos judeus a reconstrução do
templo. A primeira alocução visa exatamente esse tema, ao concitar aos trabalhos, como forma de evitar desordens em Judá. A segunda
promete bênçãos aos reconstrutores do templo; a terceira prediz que o esplendor do segundo templo será maior que o do primeiro; a quarta é uma consulta aos
sacerdotes sobre as impurezas que ameaçam o templo; a última, uma profecia da escolha de Zorobabel como eleito de Iavé. As exortações à reconstrução do templo, proferidas por Ageu, encontram eco em seu contemporâneo Zacarias, sacerdote e penúltimo dos profetas menores. Seu livro contém três profecias: uma conclamação à conversão, quando então Iavé se voltará para seu povo; uma narração de visões noturnas; um apelo à continuação do jejum do quinto mês, comemorativo do incêndio do templo. Os oráculos, também em número de três, apresentam-se nessa ordem: a vinda do reino de Iavé, com a aniquilação dos poderes terrestres e o recolhimento dos israelitas dispersos; uma alegoria, que descreve o bom pastor, desprezado pelo rebanho, e o mau pastor, cuja morte iniciará um processo doloroso de purificação; e dois ataques contra Jerusalém.
O último dos profetas menores, Malaquias, viveu por volta do século V a.C. Há dúvidas se esse era mesmo seu nome, ou um designativo da função de mensageiro. O livro é um longo diálogo, iniciado com a palavra de Iavé, ou de seu profeta, que é contraditado pelo povo, ou pelos sacerdotes, e volta a afirmar o que dissera, de modo mais categórico. O diálogo se desenrola ao longo de seis alocuções, na seguinte ordem: Iavé assegura seu amor por Israel; censura os sacerdotes por seu desleixo nos sacrifícios; censura os judeus por seus matrimônios mistos, com "filhas de um deus estrangeiro", e os divórcios; avisa que só virá como juiz depois que seu mensageiro purificar o sacerdócio e o templo; promete que tão logo os dízimos sejam pagos, pontual e integralmente, cessarão as pragas de gafanhotos e a perda de colheitas; promete também que no dia do juízo os justos serão recompensados e os pecadores castigados; finaliza com uma exortação à observância da lei de Moisés e com a previsão da vinda de Elias, o profeta, "antes que chegue o dia de Iavé, grande e terrível".
Mais críticas sobre BÍBLIA - PARTE 2: "OS PROFETAS MENORES"