Profetas menores. Os 12 livros dos
Profetas menores foram escritos durante um período muito extenso -- do século VIII ao III a.C. -- e por isso constituem fonte inestimável para o conhecimento da antiga civilização judaica, em seus aspectos sociais, religiosos e políticos. A ordem em que aparecem não é a mesma nas versões cristãs da Bíblia -- a Vulgata e a Setenta -- que por sua vez diferem da adotada pelo texto massorético. Em nenhuma das três a ordem observada é a cronológica. Na tradição hebraica, são conhecidos pelo nome de
tere asar, que na língua aramaica significa 12, e estão colocados logo depois do livro de Ezequiel. Oséias viveu no século VIII a.C., no reinado de Jeroboão II, que retomou os territórios anexados pela Assíria. No plano interno, apesar da prosperidade econômica, seu governo foi marcado pela corrupção e pela busca desenfreada de prazer e lucro. É nesse ambiente que Oséias -- como também Amós -- vai exercer sua atividade profética e anunciar o processo que Iavé vai abrir "contra os habitantes do país, porque não há fidedignidade, nem amor, nem conhecimento de Deus (...) aumentam o perjúrio, a mentira, o assassínio, o roubo e o adultério; sangue derramado soma-se a sangue derramado".
O segundo dos profetas menores é Joel, que faz uma descrição da praga de
gafanhotos que se abaterá primeiro sobre os campos e depois sobre a cidade, como
castigo de Iavé. O país, que antes da praga era "como um jardim do Éden, depois dele será um deserto desolado". Mas depois do flagelo, Iavé terá zelo e piedade: "Eis que vos envio
trigo,
vinho e óleo. Saciar-vos-ei deles. Não mais farei de vós um opróbrio entre as nações." Em seguida, Iavé derramará seu espírito sobre todo o povo: "Vossos filhos e filhas profetizarão, vossos anciãos terão sonhos, vossos jovens terão visões." E conclui com a promessa de que "Iavé habitará em Sião". Pastor e podador de sicômoros, a vida profissional de Amós, terceiro dos profetas menores, se revela em seu estilo, cheio de imagens retiradas da natureza e da vida campestre. Consciente da corrupção interna do
reino de Jeroboão II, e de que a moralidade social é um fator determinante da vida de um povo, repreende as classes ricas, que exploram os trabalhadores. Em conseqüência desses pecados, "porque oprimis o fraco e tomais dele um imposto de trigo", para proveito próprio, muitos castigos sobrevirão. O penúltimo capítulo do livro relata as visões de pragas de gafanhotos, seca, fome e luto; no último, vêm as perspectivas de recuperação e de fecundidade paradisíaca, em que as cidades serão restauradas, os habitantes "plantarão vinhas e beberão o seu vinho, cultivarão pomares e comerão os seus frutos".
O livro que contém as
profecias de Abdias, quarto dos profetas menores, consiste em um único capítulo, e é o menor da Bíblia. Sua profecia se apresenta em duas partes: o castigo de Edom, anunciado em pequenos oráculos dispersos pelo livro; e o dia de Iavé, em que Israel se vingará de Edom. O plano histórico em que desenvolvem essas profecias é o da invasão do sul da Judéia pelos edomitas, após a ruína de Jerusalém. Constitui na verdade um clamor de vingança, de espírito nacionalista, embora exalte a justiça e o poder de Iavé, a quem pertencerá finalmente o reino.
Mais críticas sobre BÍBLIA - PARTE 1: "OS PROFETAS MENORES"