Livros poéticos e sapienciais. Esse conjunto divide-se em dois grupos: os sapienciais -- Jó, Provérbios, Eclesiastes, Eclesiástico e
Sabedoria; e os poéticos -- Salmos e Cântico dos Cânticos. O primeiro grupo apresenta menos considerações religiosas que profanas, pois preocupa-se com a arte de bem viver, no sentido amplo do termo. Entretanto, essa sabedoria é, em última análise, o temor a
Deus, que se expressa na piedade. A obra-prima desse conjunto é o livro de Jó, história de um homem justo, que permanece heroicamente fiel a Deus, apesar das provações excepcionais a que é submetido. O livro que melhor tipifica a sabedoria de Israel é o dos Provérbios, que representa vários séculos de reflexão dos sábios
judeus. As palavras iniciais do Eclesiastes -- "
Vaidade das vaidades, tudo é vaidade" -- dão o tom desse livro, uma meditação contínua e dolorosa sobre a brevidade da vida e a inutilidade da labuta do homem, que nenhum proveito tira "de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol". O autor considera que os
prazeres da vida, momentâneos e fugazes, são uma dádiva de Deus, que deles posteriormente pedirá contas. Apesar de passar uma sensação pessimista, o livro contém uma mensagem de esperança, ao recomendar uma atitude religiosa, de reverência a Deus e de observância de seus mandamentos, como forma de gozar dos prazeres honestos da vida, em consonância com a vontade divina. Semelhante ao livro dos Provérbios, o Eclesiástico contém uma série de máximas e ensinamentos sobre os problemas da vida religiosa e profana. É um dos
Livros considerados deuterocanônicos pelos católicos e apócrifos por judeus e protestantes. Os padres dos primeiros tempos da igreja usaram-no como uma espécie de catecismo para instrução dos catecúmenos. Sabedoria, também deuterocanônico, mostra o papel da sabedoria no destino humano, expõe sua natureza e origem e os meios para adquiri-la, e exalta sua ação na história do povo eleito. Sua autoria é atribuída a Salomão, e destinava-se a mostrar aos judeus helenizados que a sabedoria de Israel em nada era inferior à grega. Os Salmos, cerca de metade dos quais atribuídos a Davi, é uma coleção de 150 hinos de louvor a Deus, de arrependimento, de súplica, de ações de graças ou de rememoração de acontecimentos sagrados. Os judeus os usavam nas funções litúrgicas do templo. Os cristãos usam-nos desde o tempo dos apóstolos. O Cântico dos Cânticos é, de todos os livros do Antigo Testamento, o de interpretação mais polêmica devido a seu tema: o amor mútuo entre um amado e sua amada, que se unem, se perdem, se buscam e voltam a se encontrar. Por empregar a linguagem de um amor apaixonado, causou estranheza e suscitou dúvidas quanto a sua canonicidade. Uma das interpretações mais antigas é a que lhe atribui um sentido alegórico -- o amor de Deus por Israel, e do povo por seu Deus. Alguns exegetas católicos preferem a interpretação literal: os cânticos celebram o amor mútuo e fiel, confirmado pelo sacramento do matrimônio.
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