Livros da Bíblia.
A Bíblia cristã, em sua edição canônica completa, compõe-se de 73
Livros -- 46 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Esses dois grandes conjuntos estão segmentados em grupos, segundo sua natureza, autoria, sentido etc. Na Bíblia cristã, a titulação dos livros leva em conta a natureza de seu conteúdo. Na hebraica, toma-se a primeira
palavra do texto como título.
A abordagem dos livros bíblicos por grupos proporciona uma visão do conjunto e ao mesmo tempo facilita a compreensão das linhas principais de pensamento que orientaram sua composição.
Antigo Testamento
Para os
judeus, a coleção dos livros bíblicos escritos antes do nascimento de Jesus Cristo é a própria Bíblia. Os cristãos denominam essa coleção de Antigo ou Velho Testamento, porque entendem que eles testemunham os acontecimentos do passado, que preparam a vinda do Cristo e a prenunciam na palavra dos profetas. Cristo é a tradução grega da palavra hebraica
mashiah, messias, "ungido", o que vem para salvar a humanidade.
Pentateuco.
O conjunto formado pelos cinco primeiros livros da Bíblia denomina-se Pentateuco -- em grego, livro em cinco volumes. Os judeus o chamam de
Torá, palavra hebraica que significa
lei, diretiva, instrução -- ou seja, o conjunto das instruções, ou leis de Deus, transmitidas ao povo israelita através de Moisés, o grande fundador de Israel, como povo e como
religião.
Gênesis.
O primeiro livro do Pentateuco é o Gênesis, título que se refere a seu conteúdo, que é a origem, a gênese de todas as coisas, da Terra, do
homem e do cosmo. Os judeus o intitulam
Be-Reshit, em alusão às palavras iniciais "No princípio". A primeira parte reporta-se, segundo a óptica monoteísta, às tradições da Mesopotâmia, região situada entre os rios Tigre e Eufrates, berço de antigas civilizações e cenário dos acontecimentos aí narrados. Inserem-se mitos e tradições populares em torno de fenômenos de ordem natural e cultural: o paraíso, o pecado original, o primeiro homicídio (Caim e Abel), o dilúvio e a aliança de Noé com Deus, a torre de Babel.
A parte restante relata a história dos povos precursores dos hebreus. Trata das dez primeiras gerações, desde Adão, ancestral da humanidade, até Abraão, progenitor do povo de Israel; e deste até os 12 filhos de Jacó, chefes das 12
tribos que constituem esse povo.
Êxodo.
O segundo livro do Pentateuco é o Êxodo, título cristão que alude ao principal tema, a saída dos judeus do Egito. O título judaico é
Shemot ("Nomes"). Narra a opressão dos israelitas pelos egípcios, o surgimento de Moisés, que liderará a fuga em obediência ao comando divino, a revelação das leis de Deus impressas nas tábuas de pedra, a traição do povo, que na ausência do seu líder passa a adorar o bezerro de ouro, e a ira de Moisés, que castiga os infiéis com a ajuda dos levitas.
Levítico.
O terceiro livro é o Levítico, intitulado pelos judeus
Va-Yikra ("E chamou"). Contém quatro grupos de leis: o ritual dos sacrifícios; o cerimonial de investidura dos sacerdotes; as normas que discriminam o puro do impuro; e a lei da santidade, com calendário litúrgico, bênçãos e maldições. Seu caráter eminentemente legislativo interrompe a seqüência narrativa.
Números.
A narrativa é retomada no quarto livro, intitulado
Números, em alusão ao fato de enumerar as tribos de Israel. Em hebraico, denomina-se
Bammidbar ("No deserto"). Relata a marcha dos judeus pelo deserto, desde a partida do Sinai, a montanha santa, precedida de um recenseamento do povo, até a chegada a Cades, de onde tentam, sem êxito, penetrar em Canaã. Chegam finalmente às estepes de Moab, defronte a Jericó, onde se estabelecem as tribos de Rúben e Gad.
Deuteronômio.
O quinto e último livro do Pentateuco é o Deuteronômio, que significa repetição da lei, ou segunda lei. No cânon hebraico é chamado
Elleh hadd barim ("Estas são as palavras"). Este
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