Vínculos –
Lúcia Pimentel Góes Resumido por
Lual Teresa, exausta olha comovida os compartimentos vazios da casa em que vivera. Sua cabeça, povoada de recordações. Com a
chegada de
Célia (segunda
filha), a casa ficou pequena.
Rui (o
marido) comprou uma casa no
Brooklyn, com quintal, jardim e três quartos. Lembra quando se conheceram. Apaixonaram-se e casaram. Na época,
São Paulo acordava ao som das bombas, movimentos de seqüestro, guerrilha, terrorismo. Veio a revolução, a repressão, a censura. Conversava com a sua
amiga Mônica, denunciando as injustiças sociais: a miséria das favelas, os menores abandonados, as crianças subnutridas e doentes... O namorado da amiga,
Carlos reacionário e teimoso, discordava: - Você é uma comunista? Teresa trabalhava numa loja de brinquedos. Confeccionava a maioria deles: lindas bonecas, porta-jóias, cabides ... Rui, engenheiro florestal, trabalhava em projetos ecológicos e em planejamentos para o governo ou para particulares. Fazia seis
anos de casados e ainda não tinham filhos. Fizeram exames. Nenhuma anomalia. A ansiedade a fizera sonhar com um bebê num quarto com decoração feminina. Acordou abraçando a filhinha – o travesseiro. Resolveram adotar uma criança: Laura Agora, estava dividida em mil cuidados e atenções para com ela. Mesmo assim, não descuidava da loja. Contratara a
Tia Ada, como gerente, para ajudá-
la. Algum
tempo depois, numa tarde, sentiu um torpor pesado, tudo escureceu, desmaiou. Estava grávida.
Dulce e
Léo (seus pais) fizeram-lhe companhia. Assim, foi a chegada de Célia. Dois anos após, nasce
Clara. Laurinha crescera. Tinha o gênio forte. Gostava dos amigos, mas a companhia que mais apreciava era
Bruno, o cachorrinho que ganhara de presente aos quatro anos. Certo dia, o cãozinho é atropelado e
morre, deixando-a triste e deprimida. Nada a consolava. Aos quinze anos, para reanimá-la, seu pai lhe presenteou com um violão. Ficou radiante. Passava horas treinando músicas. Estava feliz, em paz consigo mesma. Quando não estava tocando, estava estudando, pois acalentava um sonho: ser jornalista. Veio a fase do relacionamento afetivo. Conheceu
Dênis. Apaixonaram-se. Conscientizava-se de que amar era uma sensação maravilhosa. Algo só dela, muito dela. Descobrira que era filha adotiva através de uma das amigas (
Flávia), que com ciúmes do Dênis não se conteve e revelou o segredo de sua mãe, que contara para a sua. Ouvira a conversa. Laura ficou em choque, soluçando desesperadamente. Reagiu com a mãe ao chegarem casa, manifestando atitudes e palavras agressivas. As irmãs a acolheram bem. Sua mãe dizia que ela não era filha de sangue, mas de amor. Passou a reservar suas emoções e sua alegria só para o namorado. Dênis morre algum tempo depois com câncer. Laura não suportou a dor. Precisava preencher o tempo para não enlouquecer. Resolve ir embora, morar num pensionato, trabalhar. Era preciso encontrar-se a si mesma. Passou a namorar um rapaz bonito e envolvente (Mário). Engravida. Muda-se para uma pensão. O Mário reagiu negativamente. Estava decidido: criaria o seu filho sozinha. Sentiu na pele a
rejeição social:
as mães solteiras! Via com clareza,
a sobrecarga que a sociedade impõe às mulheres.As contrações surgiram. Uma dor diferente nas costas, crescendo e desaparecendo. O trabalho de parto se iniciava. Ficaram mais próximas e mais intensas. Precisava respirar “
cachorrinho” para aliviar. Quase desmaiou no auge da dor. Uma menina lhe nascera:
Regina. Seu pai a convida a voltar para casa. Voltou. Reconciliou-se com a mãe. Percebeu a vida como os elos de uma corrente: O amor. Teria o amor dos seus e o próprio pela vida. Transformaria seu amor em ação. Encontrou-se finalmente: sorriu para si e para a vida.
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