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Shvoong Home>Livros>''"Os devaneios do general" (conto)

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''"Os devaneios do general" (conto)

por : Lual    

Autor : Érico Veríssimo
Os devaneios do general (conto) – Érico Veríssimo Resumido por
Lual             No escuro céu de inverno, abre uma clareira azul. Um galo pula para a cerca do quintal, sacudindo a crista vermelha e soltando um cocoricó
. As crianças brincam e gritam nos barrentos rios das sargetas e o sol reflete seus raios nas poças d’água. Em poucos instantes o céu é um clarão de puro azul.           O General Chicuta Campolargo
sai de sua toca (o quarto na casa da neta (Juventina
) – seu último reduto). Na sombra, sozinho, esperando a noite, vive as lembranças do passado em meio aos seus reduzidos pertences: medalhas, relíquias, o retrato do Senador, o busto do Patriarca ... Outrora, em Jacarecanga
, nada faziam sem antes ouvi-lo. Mandava e desmandava, derrubava urnas, anulava eleições. Condenava ou absolvia réus conforme as conveniências.           Os tempos mudaram: modernismos, automóveis, aviões, rádios, brancos e negros se nivelando, criado e patrão num tratamento diferente. Hoje, até a luz do sol o incomodava: é uma violência aos seus sujos olhinhos. O rosto murcho, as mãos cadavéricas. Sua barbicha branca e rala esvoaça ao vento.           Publicaram na “Voz de Jacarecanga
” um artigo desaforado sem assinatura: “A hiena
sanguinária que bebeu o sangue dos revolucionários de 93
(Revolução Federalista ocorrida no RS), agora tripudia sobre a nossa mísera cidade desgraçada
.” Sabia que era com ele! Tremeu de raiva. Pegou o revólver – “Patife! Canalha!” Convocou o diretor do jornal que se apresentou pálido. Era ousado, mas covarde.           - Sente-se canalha! (Picou a página do jornal em pedacinhos e o obrigou a comê-la.)           - Coma, pústula!           E o homem comeu.           Sob o ronco de um avião sobre a casa, analisava: a guerra tinha perdido a dignidade, pois os homens não mais lutavam peito a peito; porém dos aviões lançavam bombas na infantaria. Guerras de covardes! O general mergulha no passado. Um dos ataques do qual participou.  Foi uma tempestade: duzentos homens degolados. Não ficou um para contar a história.           No jardim, o bisneto (Chiquinho
) brinca, e ele contemplando o garoto perde-se em divagações ... Como será o mundo amanhã, quando o seu bisneto for homem? O mundo dos fracalhões e dos maricas pensando em igualdade social?           A criança despertando-o, entra na sala gritando:           - Vovô! Vovô! (Uma lagartixa na mão, manchada de sangue.)           - Degolei a lagartixa, vovô!           Comovido afaga a cabeça do garoto, com uma luz de esperança.                                                                        Lual  
Publicado em: fevereiro 07, 2008
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