ANA, SIM!
Chapeuzinho Vermelho, NÃO!
Autor: Francisco Rodrigues Júnior
Dedicatória: para Júlia e Sofia, as duas amiguinhas ímpares das minhas filhas.
Objetivo da História: Esta história é uma paráfrase da “história clássica”, com uma certa pitada de humor, onde é mencionado o diário de Chapeuzinho Vermelho, que ao adolescer sente a necessidade de se transformar em uma menina comum, igual às outras. Não é em nome da vaidade que acontece a mudança na vida dela, mas sim em nome da autenticidade. Todos nós temos direito à liberdade, que jamais poderá ser restrita. Meu nome é Ana. Todos me chamavam de Chapeuzinho Vermelho. Esquisito, não é? Onde já se viu uma garota ter um nome assim?! Tudo começou quando eu completei um aninho. Que dia lindo! Papai e mamãe fizeram uma grande
festa para mim. Todos os nossos amigos foram convidados. Foi aí que a minha madrinha, que não podia faltar no meu
aniversário, deu-me de presente um lindo chapeuzinho vermelho. Mamãe achou o chapeuzinho tão lindo que acabou colocando-o imediatamente na minha cabecinha. Dizem que eu fiquei tão engraçadinha com o novo acessório, que todos admiraram e resolveram mudar o meu nome para CHAPEUZINHO VERMELHO! Não sei porque, mas os meus pais gostaram tanto da idéia que a partir desse dia começaram a encher o meu guarda-roupa de chapéus e roupinhas vermelhas... Cá, entre nós, vermelha fui eu que fiquei de raiva. Cresci... Não sei se você sabe, quando a gente cresce, a gente fica um pouco vaidosa. Foi daí em diante que eu comecei a
usar batons, cremes, sombras e perfumes da mamãe... eu queria ficar bonita, mas sentia que faltava alguma coisa... Ah, sim, faltava: eu queria que todos me chamassem de ANA... mas que nada. Por mais que eu insistia, parecia que todos queriam me chatear: era Chapeuzinho Vermelho pra cá; Chapeuzinho Vermelho pra lá... Eu ficava imaginando, porque me chamavam de Chapeuzinho Vermelho e não de Azul, Branco, Amarelo, Verde, Lilás ou Grená. Eu gostava tanto dessas cores! A partir de então, a cor vermelha eu não usaria mais. Nem sequer um botão ou uma fitinha no cabelo, por mais pequenos que fossem. Chapéu, nem pensar. Eu mudaria a minha aparência. O importante seria, a partir de então, exibir a minha essência, que há muito, corria sérios riscos. Foi o que fiz. Comecei a usar
roupas coloridas, lencinhos na cabeça, soltar os meus cabelos ao vento... Descobria aos poucos a Ana que existia em mim. Como ela era fantástica! Todos que olhavam para mim e viam-me vestida com roupas de outras cores assustavam-se. Alguns perguntavam onde estava aquela garotinha, bonitinha, que usava chapeuzinhos, gorrinhos e roupinhas vermelhas, chamada de Chapeuzinho Vermelho... Sabe o que eu respondia? __ Chapeuzinho Vermelho, LOBO COMEU!
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