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ENCARNAÇÃO
Summary rating: 2 stars
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Visitas : 166
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palavras : 900
por :
magnus2
Autor :
JOSÉ DE ALENCAR
Publicado em: janeiro 30, 2008
Estruturalmente, a
obra
de Alencar, “Encarnação” é formatada em 21 capítulos, os quais foram escritos para publicação em jornais, nos célebres
folhetins
da época. A
Estrutura
folhetinesca pode ser observada pelos desfechos de cada capítulo, terminando com um suspense, um gancho, para que o leitor se sinta impelido a comprar o jornal do dia seguinte e prosseguir a leitura. Esse recurso é utilizado nas
novelas
televisivas, porém as intencionalidades mercenárias são infinitamente depreciativas . Isso não acontece em Encarnação , na medida em que Alencar não desrespeita a inteligência do leitor, o mesmo não acontece nas infames novelas mexicanas, que com soluções óbvias (verdadeiros atentados a nossa inteligência) tenta nos empurrar soluções descabidas para situações mais descabidas ainda.
Alencar incita o leitor a querer saber que a situação folhetinesca vai acarretar e para isso usa o recurso do suspense como na seqüência abaixo:
“Instantes depois, recolhendo-se precipitadamente ao se quarto, a moca caía de joelhos, banhada em lágrimas e murmurando:
___ Louco!...Louco, meu Deus! ...” Cap. XVIII, pág.108
A esta altura você por perto já sabe o que viu, Amália no quarto - templo de Julieta... Mas Alencar ocultou a revelação explicitada no capítulo XVIII, desde o capítulo IV. Entretanto, as figuras de cera (as estátuas vistas por Amália), aparecem no texto de forma indireta, metafórica. O próprio
casamento
entre Hermano e Amálía é, por assim dizer, “antecipado” quando a menina de 9 anos desejava ter um
noivo
como Hermano:
“(...) a menina pensou no dia do seu casamento, e desejou que seu noivo fosse tão lindo como aquele.” Cap III, pág18.
Seu desejo será satisfeito alguns anos depois, casando-se com aquele mesmo noivo. Outra “antecipação”, como dizemos, reside no caráter metafórico da linguagem.
“Como estátua a moça ( Julieta ) era um esboço imperfeito, ainda mesmo com as correções que implica o molde de um traje elegante, ou feliz disposição dos enfeites. Imagine se o cinzel inspirado idealizava esse esboço e dava as linhas do perfil a harmonia que lhes negara a natureza. Tal seria não o retrato de Julieta ,mas o tipo que sua pessoa refletiria na imaginação do artista a quem servisse de modelo” Cap. II, pág.13
Praticamente a temática do
romance
está condensada nessa passagem as referências à estátua, cópia, representação e realidade afloram ao longo da narrativa constituindo a estrutura profunda do livro. Na maioria das referências Julieta guarda a oposição Realismo X Romantismo em que o senso de observação e objetividade do primeiro é trocado pela fantasia do segundo. Julieta é romantizada, pois passa a encarnar um ideal . A mesma coisa ocorrera à Amália, no início aparecendo como leitora de livros realistas, depois encarnando o ideal romântico. Na estruturação da obra prosseguem referências a imagens, cópias, retratos. Em determinado trecho Alencar explicita: “ Hermano possuía necessariamente um retrato fiel de sua Julieta...”
O processo de identificação entre Amália e Julieta é mediado por Dr. Henrique, um oftalmologista , isto é, especialista em olhos, mas que enxerga mais com a imaginação do que com a vista . Além do médico, outro elemento-mediador entre
Julieta e o ideal de mulher para Hermano é o painel de Veronese - pintor italiano -, na medida em que ele depositava no quadro toda a sua utopia.
O autor insiste na proliferação de cópias e retratos, fazendo com que Amália sofra um processo de “Julietização”. Para Alencar não basta o real , pois também o jogo de cópias configura o ilusionismo do texto. Retornando a questão da antecipação do grande mistério do livro (as figuras de cera), percebemos que o estilo metafórico do autor é gritante, pois já oferece pistas ainda no capítulo IX, quanto Amália vê pela primeira vez aquilo que ela julgava ser uma nova mulher na vida de Hermano.
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ENCARNAÇÃO
por
JOSÉ DE ALENCAR
2008
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